Espírito Santo lidera o comércio exterior do setor, responsável por quase 80% das vendas nacionais. Estudo aponta avanço na diversificação de mercados e presença das pedras capixabas em grandes obras internacionais.
A indústria brasileira de rochas naturais vem ampliando sua presença no mercado internacional, com destaque para o crescimento das vendas destinadas aos Emirados Árabes Unidos. Nos últimos cinco anos, as exportações brasileiras para aquele país avançaram 326,5%, alcançando US$ 14,4 milhões em 2025. Outro mercado que apresentou forte expansão foi a Austrália, com aumento próximo de 300% no período.
Os números reforçam o movimento de diversificação dos destinos comerciais de um setor que ainda mantém forte dependência dos Estados Unidos, responsáveis por 53,5% das compras de rochas naturais brasileiras. Nesse cenário, o Espírito Santo ocupa posição estratégica, concentrando quase 80% das exportações nacionais e consolidando sua liderança na atividade.
Os dados integram o estudo Panorama de Rochas Naturais do Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e apresentado nesta terça-feira (3), em Vitória. A publicação reúne indicadores econômicos, produtivos e sociais da cadeia, além de analisar oportunidades de expansão comercial para o setor.
Pedras brasileiras em grandes obras internacionais
A qualidade e a diversidade das rochas nacionais também têm conquistado espaço em projetos arquitetônicos de grande projeção mundial.
Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o quartzito Taj Mahal foi utilizado no revestimento de nove pavimentos do Burj Khalifa, considerado um dos edifícios mais emblemáticos do mundo. O granito Pannafragola também integra ambientes do Aeroporto de Dubai.
Nos Estados Unidos, pedras brasileiras estão presentes em empreendimentos de destaque, como os pisos do mirante Edge, em Nova York.
Espírito Santo mantém protagonismo
Com mais de 1.200 variedades de pedras naturais, o Brasil possui uma das maiores diversidades geológicas do planeta. O Espírito Santo se beneficia dessa riqueza e mantém posição de destaque na extração, no beneficiamento e na comercialização de mármores, granitos e quartzitos.
Apesar do crescimento de novos mercados, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações brasileiras. O país norte-americano concentra a maior parte das compras de chapas polidas, produtos que passam por etapas de beneficiamento e apresentam maior valor agregado.
Em 2025, as exportações brasileiras de produtos manufaturados do segmento alcançaram aproximadamente US$ 795 milhões. Entretanto, parte das rochas brasileiras, como mármore, ardósia e granito, continua submetida a tarifas impostas pelos Estados Unidos, enquanto o quartzito está entre as exceções mencionadas no levantamento.
Importância econômica
O estudo da Centrorochas também dimensiona o peso da atividade para a economia nacional. Considerando as etapas de extração, beneficiamento e comercialização, a cadeia produtiva de rochas naturais gera aproximadamente R$ 3,8 bilhões em valor adicionado à economia brasileira.
Os resultados reforçam a importância do setor para o desenvolvimento industrial e comercial, especialmente no Espírito Santo, onde a atividade representa uma importante cadeia produtiva, com presença no mercado internacional.
A expansão das vendas para países como Emirados Árabes Unidos e Austrália demonstra que a diversificação dos destinos comerciais pode abrir novas oportunidades para as empresas brasileiras, reduzir a concentração em poucos compradores e ampliar a competitividade das rochas nacionais no cenário mundial.





















