Estado embarcou 4,22 milhões de sacas da variedade entre janeiro e setembro de 2026. Resultado já é o terceiro maior da série histórica e pode levar o Espírito Santo ao segundo melhor desempenho anual já registrado.
O Espírito Santo está perto de alcançar um dos resultados mais expressivos de sua história no comércio internacional de café conilon. Dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), divulgados nesta semana, mostram que o Estado exportou 4,22 milhões de sacas de conilon entre janeiro e setembro de 2026, consolidando o desempenho da cafeicultura capixaba no mercado externo.
O volume acumulado nos nove primeiros meses do ano já representa o terceiro maior resultado anual da série histórica da entidade, iniciada em 1990, mesmo antes do fechamento de 2026. Caso o ritmo dos embarques seja mantido até dezembro, a projeção é que o Estado termine o ano com a segunda maior quantidade anual de conilon exportada, atrás apenas de 2024, quando foram embarcadas aproximadamente 7,06 milhões de sacas.
O avanço reforça a importância do café para a economia capixaba, tanto pela geração de receitas em moeda estrangeira quanto pelo impacto sobre produtores rurais, cooperativas, empresas exportadoras, transportadores e trabalhadores ligados à cadeia produtiva.
Exportações de café ultrapassam 5 milhões de sacas
O desempenho do conilon impulsionou o conjunto das exportações de café do Espírito Santo. De janeiro a setembro, os embarques de café em grãos e solúvel somaram 5,086 milhões de sacas, crescimento de 58% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A receita cambial chegou a US$ 1,2 bilhão, alta de 28% na comparação anual.
Além do conilon, o café arábica também apresentou crescimento. As exportações da variedade alcançaram 583 mil sacas no período, aumento de 31% em relação aos nove primeiros meses do ano passado. Já o café solúvel somou 289 mil sacas exportadas, registrando recuo de 17%.
Os números mostram que o conilon é o principal componente dos embarques capixabas de café. Das mais de cinco milhões de sacas exportadas no período, aproximadamente 83% corresponderam à variedade, amplamente cultivada no Norte e no Noroeste do Estado.
Setembro teve alta expressiva na comparação anual
Os dados mensais também ajudam a explicar o resultado acumulado. Em setembro, o Espírito Santo exportou cerca de 748 mil sacas de café, movimentando US$ 172 milhões. Embora o volume tenha recuado em relação a agosto, ficou 55% acima do registrado em setembro de 2025.
O conilon respondeu por 652 mil sacas embarcadas naquele mês, crescimento de 70% na comparação com setembro do ano anterior. O resultado demonstra a força da demanda externa pelo produto capixaba, embora o desempenho dos próximos meses ainda dependa das condições de mercado e do ritmo efetivo dos embarques.
A série histórica do CCCV permite comparar o desempenho atual com os resultados obtidos desde 1990. Nesse contexto, o acumulado de 2026 já se destaca, mas a confirmação da posição final do ano dependerá do fechamento dos dados de outubro, novembro e dezembro.
Café capixaba chega a dezenas de países
A presença internacional também chama a atenção. Entre janeiro e setembro, o café exportado pelo Espírito Santo chegou a 63 países. Bélgica, México, Alemanha, Colômbia e Estados Unidos estiveram entre os principais destinos, ao lado de mercados europeus e latino-americanos.
A diversificação de compradores amplia o alcance comercial do produto e conecta a produção rural capixaba a diferentes mercados consumidores. Ao mesmo tempo, torna o setor sensível a mudanças na demanda internacional, custos logísticos, câmbio e preços praticados no mercado mundial.
Conilon tem peso estratégico para o Estado
O Espírito Santo ocupa posição de destaque na produção nacional de conilon, resultado de décadas de desenvolvimento da cafeicultura, investimento em pesquisa, assistência técnica e aperfeiçoamento das práticas de cultivo e pós-colheita. O desempenho das exportações acrescenta outra dimensão a essa liderança: a capacidade de comercializar a produção em larga escala no exterior.
Para os municípios produtores, o desempenho do café tem reflexos que vão além das propriedades rurais. A atividade movimenta o comércio, os serviços, o transporte e o beneficiamento, além de contribuir para a circulação de renda nas economias locais.
O resultado final de 2026 ainda está em aberto. Os números disponíveis até setembro, porém, colocam o Espírito Santo em trajetória para fechar o ano entre os melhores resultados de sua história nas exportações de conilon — uma marca que, se confirmada, reforçará o peso da cafeicultura na economia estadual.





















