Resultado mensal foi impulsionado pelo aumento da arrecadação, receitas do petróleo e entrada extraordinária de recursos; contas públicas continuam no vermelho no acumulado de 2026 – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Governo Central registrou superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro de 2026, revertendo o resultado negativo observado no mesmo mês do ano passado. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional, mostram uma melhora no balanço mensal das contas públicas, impulsionada principalmente pelo crescimento das receitas federais.
Em setembro de 2025, o resultado havia sido um déficit de R$ 14,4 bilhões. A mudança de cenário ocorreu porque a receita líquida avançou em ritmo superior ao das despesas, além da contribuição de receitas extraordinárias que reforçaram o caixa da União.
Apesar do resultado positivo no mês, o balanço acumulado continua deficitário. Entre janeiro e setembro deste ano, o Governo Central registrou saldo negativo de R$ 90,2 bilhões, abaixo do déficit de R$ 100,3 bilhões contabilizado no mesmo intervalo de 2025.
O resultado considera as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central. O superávit primário corresponde à diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública, portanto não representa, isoladamente, um superávit geral das contas do governo.
Arrecadação cresce acima dos gastos
Segundo o relatório do Tesouro, a receita líquida da União alcançou aproximadamente R$ 204,9 bilhões em setembro, com crescimento real de 13,6% na comparação anual, o equivalente a R$ 24,6 bilhões adicionais, já descontada a inflação.
As despesas totais somaram cerca de R$ 200,1 bilhões, com aumento real de 2,4%, correspondente a R$ 4,7 bilhões a mais que no mesmo mês de 2025.
A diferença entre o avanço da arrecadação e o crescimento dos gastos contribuiu diretamente para o resultado positivo. O desempenho também foi favorecido pelo aumento das receitas provenientes da exploração de recursos naturais, especialmente petróleo e gás, e pela arrecadação do Imposto de Renda.
Outro fator importante foi a devolução à União de valores relacionados a precatórios de exercícios anteriores que foram cancelados pelo Poder Judiciário, gerando uma entrada extraordinária de recursos.
Petróleo e Imposto de Renda reforçam o caixa
As receitas relacionadas à exploração de recursos naturais cresceram R$ 5,7 bilhões em termos reais, uma alta de 71,9% em relação a setembro do ano passado. De acordo com o Tesouro, o resultado refletiu a valorização internacional do petróleo, o aumento da produção e a comercialização de petróleo e gás da União.
A arrecadação do Imposto de Renda também teve participação relevante, com acréscimo real de R$ 7,3 bilhões, puxado principalmente pelos recolhimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.
Já as demais receitas não administradas pela Receita Federal aumentaram R$ 12,8 bilhões em termos reais, sobretudo em razão da devolução dos recursos relacionados aos precatórios cancelados.
Esses fatores ajudaram a melhorar o resultado mensal, embora parte dos ganhos esteja associada a circunstâncias extraordinárias ou a receitas sujeitas às oscilações do mercado internacional.
Despesas também registram aumento
Do lado dos gastos, o relatório aponta crescimento das despesas previdenciárias e dos créditos extraordinários. Os desembolsos com benefícios previdenciários aumentaram R$ 2,1 bilhões em termos reais, refletindo tanto a ampliação do número de beneficiários quanto a política de valorização do salário mínimo.
Os créditos extraordinários cresceram R$ 9,9 bilhões na comparação com setembro de 2025. Uma parcela expressiva foi destinada a medidas para reduzir os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, incluindo R$ 7,6 bilhões em subvenções para a produção e a importação de diesel e derivados de petróleo.
Em sentido contrário, as despesas discricionárias, que incluem gastos sobre os quais o governo possui maior margem de decisão, tiveram redução real de R$ 8,4 bilhões, ajudando a conter o crescimento total das despesas.
Déficit acumulado continua elevado
Embora setembro tenha apresentado saldo positivo, o resultado não elimina o desequilíbrio acumulado ao longo do ano. Entre janeiro e setembro, o déficit primário do Governo Central chegou a R$ 90,2 bilhões, diante de R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025.
Considerando os 12 meses encerrados em setembro de 2026, o déficit primário alcançou R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB).
A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com margem de tolerância prevista nas regras fiscais. O resultado efetivo do ano dependerá do comportamento das receitas, da execução das despesas e dos critérios legais utilizados no cálculo da meta.
Resultado mensal não encerra o desafio fiscal
O superávit de setembro representa uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, mas ainda não significa que as contas públicas tenham alcançado equilíbrio no conjunto do ano.
A arrecadação mais forte, o desempenho das receitas ligadas ao petróleo e as entradas extraordinárias contribuíram para o saldo positivo. Ao mesmo tempo, o aumento de despesas obrigatórias e os gastos adicionais para enfrentar os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio continuam pressionando o orçamento.
O desafio do governo será manter receitas suficientes para financiar suas obrigações, controlar o crescimento das despesas e reduzir o déficit acumulado nos últimos meses de 2026.
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional, por meio do Resultado do Tesouro Nacional de setembro de 2026.





















