Montadora chinesa registra crescimento de 28% no lucro trimestral e pretende elevar a capacidade de sua fábrica na Bahia para 600 mil veículos por ano. Mercado brasileiro ganha importância na estratégia internacional da companhia.
O desempenho financeiro da BYD reforça os planos de crescimento da fabricante no mercado internacional. No terceiro trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, resultado 28% superior ao obtido no mesmo período do ano anterior. A receita também avançou, alcançando 221,5 bilhões de yuans, crescimento de 13,6%.
O resultado ocorre em um momento de transformação da indústria automobilística chinesa, marcada pela disputa entre fabricantes de veículos elétricos e híbridos, pela pressão sobre os preços e pela busca de novos mercados consumidores.
Nesse cenário, o Brasil passou a ocupar uma posição estratégica nos projetos de expansão da montadora, que pretende ampliar sua estrutura industrial e transformar a unidade de Camaçari, na Bahia, em uma importante plataforma de produção e exportação para a América Latina.
Fábrica brasileira poderá produzir 600 mil veículos
A BYD já iniciou os procedimentos para obter as licenças necessárias à ampliação da capacidade anual de sua fábrica baiana para até 600 mil veículos. O projeto representa uma expansão significativa diante da capacidade inicial prevista de 150 mil unidades por ano, com uma etapa intermediária de 300 mil veículos.
A unidade, inaugurada em outubro de 2025, funciona em um complexo industrial que anteriormente pertenceu à Ford. A empresa está concluindo os testes das estruturas de soldagem e pintura, além de avançar na construção do galpão de estamparia.
O investimento anunciado inicialmente para a implantação do complexo foi de R$ 5,5 bilhões, valor que já havia sido superado, segundo declarações da direção brasileira da companhia.
A expansão também envolve o aumento do quadro de funcionários. A fábrica contava com aproximadamente 9 mil trabalhadores diretos e tinha a expectativa de alcançar cerca de 10 mil até o encerramento de 2026.
Demanda supera capacidade de produção
O crescimento das vendas no Brasil é um dos fatores que impulsionam os planos industriais. Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no país, a demanda mensal da empresa gira em torno de 30 mil veículos, enquanto a produção deverá alcançar 25 mil unidades por mês até o final de 2026.
Essa diferença representa milhares de vendas potenciais que a montadora ainda não consegue atender integralmente.
Os números do mercado também demonstram o avanço da marca. Em outubro, a BYD registrou 24.114 veículos emplacados no Brasil, crescimento de 137,6% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado dos dez primeiros meses de 2026, foram 193.227 unidades, elevando sua participação de mercado para 9,7%.
A companhia estabeleceu como meta alcançar a liderança do mercado automotivo brasileiro em volume de vendas até 2030.
Nacionalização e exportações
Outro eixo da estratégia é aumentar a participação de componentes fabricados no Brasil. A BYD trabalha para iniciar 2027 com mais de 50% de conteúdo nacional em seus veículos produzidos na Bahia.
A medida permitirá avançar no reconhecimento da unidade como fabricante local e abrir caminho para exportações destinadas a outros países da América Latina.
A empresa já recebeu pedidos de 50 mil veículos do México e outros 50 mil da Argentina, com previsão de atendimento a partir de 2027, conforme a ampliação da capacidade produtiva e o cumprimento das exigências de conteúdo local.
A internacionalização também ganha força nos resultados globais. No terceiro trimestre, a BYD comercializou mais de 1,32 milhão de veículos em todo o mundo, avanço de aproximadamente 19% na comparação anual. As vendas fora da China mais que dobraram no período.
Disputa global e novos desafios
Apesar dos resultados positivos, a fabricante enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa no mercado chinês, com empresas como Geely, Chery, Xpeng e Leapmotor disputando consumidores por meio de novas tecnologias e preços competitivos.
A expansão internacional surge como alternativa para ampliar a presença comercial, diversificar receitas e fortalecer a produção em mercados estratégicos.
Para o Brasil, os próximos passos da BYD poderão representar ampliação da atividade industrial, geração de empregos, desenvolvimento de fornecedores nacionais e abertura de novos mercados de exportação.
A meta de 600 mil veículos anuais, entretanto, ainda depende de licenças, investimentos e da conclusão das etapas de expansão. O projeto sinaliza uma mudança de escala da operação brasileira, que deixa de ter apenas importância comercial para assumir papel crescente na estratégia industrial internacional da fabricante.





















