Presidente Kennedy aposta no café para diversificar a produção agrícola e ampliar renda no campo

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Presidente Kennedy incentiva a retomada da cafeicultura por meio do Pró-Café, com distribuição de mudas, assistência técnica e apoio aos produtores interessados em diversificar a produção rural.

Programa municipal incentiva novos cafezais, oferece assistência técnica e já contabiliza a distribuição de mais de 200 mil mudas; município busca reduzir a dependência da pecuária leiteira

Presidente Kennedy, no litoral sul do Espírito Santo, está abrindo espaço para uma nova etapa de sua produção rural. Tradicionalmente ligada à pecuária leiteira, a economia agrícola do município começa a ganhar novos contornos com o incentivo ao cultivo do café, atividade que já teve importância histórica na região e agora volta a integrar as estratégias de diversificação do setor.

A iniciativa é conduzida por meio do Programa Pró-Café, desenvolvido pela administração municipal para estimular a implantação de lavouras, apoiar os agricultores e criar novas possibilidades de geração de emprego e renda no campo. A proposta é ampliar as alternativas de produção nas propriedades rurais, fortalecer a agricultura familiar e reduzir a dependência de uma única atividade econômica.

O movimento representa uma retomada: na década de 1960, Presidente Kennedy chegou a se destacar na produção cafeeira, mas a cultura perdeu espaço ao longo dos anos, enquanto a pecuária avançou e se consolidou como uma das principais atividades rurais do município.

Mais de 200 mil mudas distribuídas

Lançado em 2024, o Pró-Café começou a apresentar resultados com a adesão dos produtores rurais. Na primeira etapa, 64 agricultores se inscreveram e 55 foram selecionados para participar do programa.

Segundo informações divulgadas em junho de 2026, foram distribuídas 202.660 mudas clonais, implantadas em uma área de 50,6 hectares. As primeiras lavouras atendidas pelo projeto já haviam produzido aproximadamente 650 sacas de café.

Na segunda fase, o interesse dos agricultores cresceu: 103 produtores se inscreveram. Até abril deste ano, 36 propriedades haviam concluído as etapas de preparação do solo, correção da acidez, adubação, instalação da irrigação e plantio das mudas. As demais continuavam em processo de preparação das áreas.

A previsão apresentada naquele levantamento era alcançar uma colheita de aproximadamente três mil sacas em 2026. O volume representa uma perspectiva de expansão da atividade, embora o resultado final dependa do desenvolvimento das lavouras e das condições de produção.

Apoio técnico para fortalecer as lavouras

O incentivo à cafeicultura não se limita à distribuição de mudas. O programa prevê acompanhamento técnico e apoio logístico nas diferentes fases do cultivo, incluindo preparação da terra, fornecimento de corretivos e fertilizantes, implantação da irrigação, manejo das plantas e colheita.

A assistência é importante para orientar os produtores sobre as condições adequadas de solo, água e condução das lavouras, fatores que influenciam diretamente a produtividade e a qualidade dos grãos.

A proposta também busca estimular a adoção de práticas que contribuam para a conservação dos recursos naturais e para a sustentabilidade das propriedades rurais.

Produtores começam a investir na nova atividade

A expansão do café já estimula iniciativas particulares no município. Agricultores que tradicionalmente trabalhavam com a pecuária passaram a reservar parte de suas propriedades para a nova cultura, enquanto outros ampliam áreas plantadas com apoio do programa municipal.

Um dos exemplos é o produtor Luís Cláudio Camporez, da localidade de Bom Jardim, que investiu no plantio de café e começou a estruturar equipamentos para secagem e beneficiamento dos grãos. A iniciativa aponta para uma oportunidade que vai além do cultivo: a formação de serviços e negócios associados à cadeia produtiva.

Outro caso é o de Edino Rainha, da região de São Gregório dos Galos, que decidiu diversificar sua propriedade em 2025. O produtor iniciou o plantio com cerca de quatro mil pés e, conforme relato publicado em junho, já havia ampliado a lavoura para aproximadamente 24 mil plantas.

Os exemplos mostram como a cafeicultura pode estimular investimentos nas propriedades e abrir espaço para novas atividades relacionadas ao processamento e à comercialização da produção.

Desafio agora é consolidar o mercado

A diversificação agrícola exige planejamento de longo prazo. Além de formar lavouras produtivas, os agricultores precisam garantir manejo adequado, acesso à água, assistência técnica e condições para comercializar a produção a preços que remunerem o investimento.

Por isso, a capacitação dos cafeicultores para a comercialização representa mais uma etapa desse processo. Em abril de 2026, a Secretaria Municipal de Agricultura promoveu, em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), um encontro voltado às estratégias de venda e à ampliação das oportunidades de mercado, com participação da empresa Café Sul.

O fortalecimento dessa etapa pode ajudar os produtores a compreender melhor o mercado, identificar compradores e buscar formas de agregar valor ao café produzido localmente.

Para Presidente Kennedy, a aposta no café representa uma tentativa de ampliar as fontes de renda no meio rural e construir uma economia agrícola mais diversificada. O município mantém na pecuária leiteira uma atividade de grande relevância, mas passa a investir também em alternativas capazes de movimentar as propriedades, gerar oportunidades e fortalecer a agricultura familiar.

A consolidação desse novo ciclo dependerá da continuidade do suporte aos produtores, da produtividade das lavouras e da capacidade de transformar o aumento da produção em renda efetiva para as famílias rurais.

Nota editorial: os números de produção e de adesão citados correspondem ao levantamento divulgado em junho de 2026. A previsão de três mil sacas para 2026 foi apresentada como estimativa, não como resultado já confirmado.

Tags: Presidente Kennedy, cafeicultura, Pro Café, agricultura familiar, diversificação agrícola, café conilon, agronegócio capixaba, desenvolvimento rural, O JORNAL.

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