Projeto que começou com a compra de brinquedos usando um décimo terceiro de R$ 60 já alcança cerca de 250 crianças e participa pelo quinto ano da tradicional feira de Cachoeiro
Há 17 anos, uma experiência pessoal transformada em gesto de solidariedade deu origem a um projeto que hoje faz parte do calendário social de Cachoeiro de Itapemirim. O Natal Solidário estará novamente na Feira da Bondade, que chega à sua 41ª edição entre os dias 18 e 20 de setembro, no Parque de Exposições Carlos Caiado Barbosa.
Criada para levar alegria e esperança a crianças em situação de vulnerabilidade social, a iniciativa nasceu em dezembro de 2009, quando Felipe Montenegro decidiu utilizar parte de seu décimo terceiro salário, que naquele período era de R$ 60, para comprar brinquedos.
Ao lado da família, ele realizou a primeira ação no bairro Vila São Felipe, na região do Aeroporto, então conhecido como “antiga favela”. O que começou de maneira simples acabou se transformando em uma rede de voluntariado que, quase duas décadas depois, continua crescendo.
Da experiência pessoal à solidariedade
Para Felipe, a origem do projeto está diretamente relacionada a uma experiência que marcou sua própria trajetória.
“Fomos escolhidos vivendo essa dor de esperar por aquele Natal que nunca chegou, pelo presente ou até mesmo pelo abraço. Aprendi que podemos ser neutralizados pelas nossas dores ou fazer delas um castelo. E é isso que o nosso projeto representa.”
A partir daquela primeira experiência, novos voluntários foram se juntando à iniciativa. Atualmente, o Natal Solidário atende aproximadamente 250 crianças, de zero a 12 anos, em uma programação que transforma um dia comum em uma grande celebração.
Brincadeiras, contação de histórias, apresentações musicais e culturais, pintura facial, corte de cabelo, lanches e oficinas fazem parte da programação. No final, cada criança recebe um brinquedo para levar para casa.
Mas, para os organizadores, o presente é apenas uma parte da proposta.
O objetivo principal é mostrar às crianças que elas podem continuar sonhando e acreditando no futuro, independentemente das dificuldades econômicas ou da realidade familiar.
Uma festa que atravessa gerações
Ao longo dos 17 anos, o projeto também acumulou histórias que mostram como uma ação pontual pode produzir efeitos duradouros.
Algumas crianças que participaram das primeiras edições cresceram, formaram suas próprias famílias e passaram a retornar à celebração acompanhadas dos filhos.
É uma espécie de reencontro que, para os voluntários, simboliza a dimensão alcançada pelo projeto: aquilo que começou com um brinquedo comprado há 17 anos acabou criando vínculos que permanecem até hoje.
Natal Solidário na Feira da Bondade
Há cinco anos, o projeto encontrou na Feira da Bondade de Cachoeiro um espaço para ampliar sua visibilidade e aproximar novos apoiadores.
Durante os três dias do evento, o Natal Solidário manterá um estande aberto ao público, com uma apresentação renovada a cada edição. O espaço foi pensado para receber visitantes de diferentes idades e, ao mesmo tempo, apresentar a proposta da iniciativa.
Além de divulgar o trabalho, a equipe aproveita a feira para buscar novos parceiros e ampliar a rede de voluntários que ajuda a manter o projeto.
A preocupação com os detalhes também faz parte da proposta. A decoração e a organização do estande são adaptadas para criar um ambiente acolhedor e reforçar a identidade do Natal Solidário.
Solidariedade como semente para o futuro

A participação na Feira da Bondade ocorre justamente em um evento que tem a solidariedade como principal característica. Promovida pela Prefeitura de Cachoeiro, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, a feira reúne entidades, projetos sociais e a comunidade em uma programação de três dias.
Nesse cenário, a trajetória do Natal Solidário se encaixa em uma mensagem que acompanha o projeto desde sua criação: “A transformação do futuro está ligada ao que você decide plantar hoje.”
Há 17 anos, Felipe e os voluntários começaram plantando uma pequena semente, com brinquedos comprados com um salário que parecia pouco para grandes mudanças.
Hoje, a iniciativa mostra que a transformação pode começar justamente com aquilo que está ao alcance de cada pessoa: um gesto, algumas horas de dedicação, um brinquedo, um abraço ou simplesmente a disposição para acreditar que uma criança merece ter motivos para sorrir.


























