Do bordado ao patchwork, grupos de voluntárias transformam peças produzidas à mão em recursos para idosos, escolas e projetos comunitários
Entre agulhas, linhas, tecidos e muitas horas de dedicação, um trabalho silencioso vem ajudando a transformar a realidade de moradores de Alfredo Chaves. Na sede do município e no distrito de Matilde, grupos de mulheres encontraram no artesanato uma maneira de unir convivência, talento e solidariedade.
A Associação Viva a Vida, no bairro Portal dos Imigrantes, e as Voluntárias de Mathilde mantêm uma tradição que vai muito além da produção e venda de peças artesanais. O dinheiro arrecadado com os trabalhos retorna para a própria comunidade e ajuda a financiar ações sociais, apoiar instituições e melhorar estruturas utilizadas pelos moradores.
Artesanato que chega à Casa Lar
Na sede de Alfredo Chaves, a Associação Viva a Vida reúne atualmente 27 voluntárias, muitas delas aposentadas. Bordados, crochês, ponto cruz, colchas, capas de almofadas, tapetes, toalhas e panos de prato estão entre os produtos confeccionados pelo grupo.
As peças ganham as prateleiras e, posteriormente, são comercializadas. O resultado dessa produção é transformado em apoio à Casa Lar Aconchego do Idoso, que atualmente acolhe 18 idosos.
Os recursos ajudam na compra de produtos de higiene e limpeza, roupas de cama e banho e outros materiais necessários para o funcionamento da instituição.

A presidente da associação, Maria Luiza Rosalém Nalesso, acompanha de perto a produção e incentiva a continuidade do trabalho.
“É uma satisfação muito grande ver o resultado do nosso trabalho ajudando quem precisa. Cada peça que produzimos tem um significado especial, porque sabemos que ela vai contribuir para o bem-estar dos idosos da Casa Lar.”
Para a voluntária Lourdes Bonella, entretanto, o benefício do trabalho não se resume à ajuda oferecida a terceiros. A convivência entre as participantes também se tornou parte importante da rotina.
“Além de ajudar aos outros, a gente se ajuda também. Fazemos amizades, compartilhamos experiências e nos sentimos úteis.”
A Associação Viva a Vida conta com o apoio do Instituto Jutta Batista, parceiro das ações voltadas à Casa Lar.
Em Matilde, 27 anos de história
A poucos quilômetros dali, em Matilde, outra história de voluntariado se mantém viva há quase três décadas. As Voluntárias de Mathilde reúnem cerca de 25 mulheres e também utilizam o artesanato como ferramenta para arrecadar recursos e devolver benefícios à comunidade.
Bordados, tricô, patchwork, panos de prato, capas de almofadas com referências à região e outros trabalhos manuais são produzidos pelo grupo.
As peças podem ser encontradas na sede das voluntárias, na loja Tutte Mani, em Pedra Azul, além de feiras e eventos.
Ao longo dos anos, o dinheiro arrecadado ajudou a financiar projetos que deixaram marcas concretas na comunidade. Entre eles estão a construção de uma sala de aula da Creche Chapeuzinho Vermelho, cursos de bordado na Escola Felipe Modolo, aquisição de equipamentos para gabinete dentário e apoio a atividades destinadas à terceira idade.
O grupo também contribui com a Casa Lar Aconchego do Idoso, em Alfredo Chaves.
Uma das conquistas que simbolizam a trajetória das voluntárias é a própria sede da entidade, construída com recursos obtidos pelo grupo e com a colaboração de parceiros e moradores.
Para a presidente Elisete Camiletti do Carmo, a longevidade do trabalho tem uma explicação simples: a disposição de fazer pelo outro.
Solidariedade que atravessa gerações
As histórias da Associação Viva a Vida e das Voluntárias de Mathilde mostram que o voluntariado não precisa de grandes estruturas para produzir resultados significativos. Muitas vezes, começa em uma mesa, diante de um tecido, uma agulha e um grupo de pessoas dispostas a dedicar algumas horas do dia a uma causa.
O artesanato, nesse caso, é apenas o ponto de partida. O produto final percorre um caminho que passa pela solidariedade e retorna à comunidade na forma de atendimento social, equipamentos, melhorias e apoio a quem precisa.
Durante visitas aos dois grupos, o prefeito Hugo Luiz conheceu as atividades, acompanhou a produção e ouviu das voluntárias relatos sobre os projetos e desafios enfrentados.
O prefeito destacou a importância de reconhecer iniciativas que, segundo ele, são construídas diariamente com dedicação pessoal.
“São pessoas que dedicam seu tempo, seu talento e muitas vezes seus próprios recursos para ajudar outras pessoas. É um trabalho que merece ser valorizado e incentivado.”
Com décadas de história, as duas organizações continuam abertas à participação de novas voluntárias e de pessoas interessadas em contribuir.
Em Alfredo Chaves, entre linhas, agulhas e tecidos, a solidariedade ganhou forma — e, principalmente, ganhou destino.


























