Insensível: Justiça autoriza desocupação de moradores em plena onda de frio

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Polícia Militar cumpre reintegração de posse em um hotel na Rua Augusta, região central de São Paulo. - Foto: VAN CAMPOS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Militar acompanhou nesta terça-feira (17) uma reintegração de posse na Rua Augusta, no Centro de São Paulo.

Houve um princípio de tumulto quando o efetivo policial entrou no prédio. Moradores reclamaram da truculência policial e relataram que tiveram dificuldades para retirar os pertences.

"A gente falou que não tem para onde ir. Falaram para ir para um albergue, mas sem nossos móveis, nossas coisas, nossas famílias, nossas crianças?", disse uma moradora.

"Desde ontem à noite a gente estava organizado para sair pacificamente. Nenhum momento a gente desrespeitou a polícia. A Tropa de Choque já chegou empurrando criança, derrubando idoso", relatou outra mulher que reside no local.

Questionada, a Secretaria da Segurança Pública não respondeu sobre as acusações de violência policial, disse somente que apoia o cumprimento da reintegração determinada pela Justiça.

Às 12h, cerca de 100 pessoas tinham deixado o imóvel. Segundo a Frente de Luta por Moradia, 250 famílias residiam no local.

Os moradores protestaram contra a decisão judicial e alegaram que no prédio moravam famílias, sendo a maioria crianças, e que eles não têm para onde ir com os móveis e pertences.

A reintegração de posse aconteceu um dia antes da previsão de frio intenso na cidade de São Paulo, quando a temperatura pode chegar a 6ºC.

Em nota, a prefeitura da capital disse que realizou um trabalho prévio de oferta de dos serviços socioassistenciais às famílias, mas que incialmente ninguém havia aceitado os encaminhamentos.

Entretanto, na manhã desta terça, uma família e uma mulher solicitaram acolhimentos e foram encaminhados para o Centro de Acolhida para Mulheres e Famílias Bacelar e Tietê, respectivamente.

Grávida socorrida

Durante a ação, uma mulher grávida de 20 anos precisou ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros.   - Foto: Arquivo pessoal

Durante a ação, uma mulher grávida de 20 anos precisou ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros. Segundo os moradores, ela entrou em trabalho de parto. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde e do bebê.

STF

O pedido de reintegração foi feito pelos donos do Baixo Augusta Hotel e a justiça de SP determinou o cumprimento nesta terça.

Os donos do hotel alegaram que 50 pessoas tinham ocupado o imóvel no início de abril. Que o local estava em reforma e funciona um escritório comercial do empreendimento.

A Defensoria Pública recorreu ao Supremo Tribunal Federal na tentativa de impedir que as famílias fossem retiradas.

Em decisão da semana passada, entretanto, a ministra Carmen Lúcia autorizou o cumprimento da reintegração, apesar de uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, de abril deste ano, ter suspendido despejos e desocupações na pandemia até 30 de junho.

São Paulo é o estado com maior número de despejos desde o início da pandemia. Foram mais de 6 mil famílias despejadas de março de 2020 até agora.

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