No pau do galinheiro

Por Rodrigo Alves de Carvalho

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28/09/2026

Rodrigo Alves de Carvalho

Jornalista, escritor e poeta

— E aí meu amigo. Já decidiu em quem vai votar neste ano?

— Claro. Vou votar naquele lá que recebeu milhões de propina. E você?

— Acho que vou votar no outro. Que roubou milhões de nossos velhinhos.

— Eu até pensei em votar neste, mas o outro parece que tem mais roubos escondidos, que ainda não foram investigados.

— Verdade, ouvi dizer que além dos milhões, o outro também está envolvido com tráfico.

— Mas tem aquele outro também, que a mídia não fala muito, mas está sendo acusado de desvio de bens público.

— Justamente pelo público não conhecer seus roubos, não está bem nas pesquisas eleitorais daqui.

— Coitado!

— Situação parecida com aquela candidata que foi até presa um tempo atrás por envolvimento com facção criminosa.

— Essa só vai ter uma grande votação no estado natal dela…

— Pois, é… está difícil este ano amigo… muitos candidatos envolvidos com coisa suja que a gente nem sabe quem escolher…

— Um mais sujo que o outro…

(Risadas no galinheiro).

— Mas temos que tomar cuidado. Cê viu aquele candidato que parece um garnisé nanico, que vive dizendo que é limpinho?

– Cara… um absurdo… o sujeito não tem sequer uma condenação e parece que jamais se envolveu com sujeira! Jamais roubou um milhão ou milhinho, tampouco milho sequer!

— Ainda bem que não tem nem um por cento nas pesquisas… já pensou se ele ganha aqui no galinheiro?

— Se acontecesse de ganhar, eu iria embora daqui!

— Ainda bem que é praticamente impossível isso acontecer e a eleição vai ser definida entre os dois mais sujos mesmo.

— Ainda bem.

— Falando nisso, viu a reportagem sobre as granjas onde cada um mora?

— Vi. Cê viu as dependências luxuosas deles? Que inveja!

— E os poleiros onde eles dormem… cheio de fezes, excrementos e sujeiras.

— Sujeira das boas.

— Quem dera termos poleiros tão sujos um dia…

— Meu sonho é ter meu pau de galinheiro tão sujo, quanto esses nossos candidatos queridos deste ano…