Carta de João Bechara ao neto Geninho: “Acredite em Itapemirim e no seu povo”
Uma narrativa inspirada nos festejos da Data Magna de 1980, quando o então prefeito João Bechara conduzia uma administração que apostava na agricultura, no turismo, na educação, na fé e na alegria como caminhos para fortalecer o município.

Meu querido neto, Geninho,
Sei que hoje você ocupa a cadeira que um dia foi minha. E talvez, sentado ali, olhando para os desafios de Itapemirim, compreenda melhor o que aprendi ao longo dos anos: governar este município é, antes de tudo, acreditar nele e no seu povo.
Quando estive à frente da Prefeitura, os festejos da Data Magna não eram apenas uma comemoração no calendário. Eram uma oportunidade de reunir a comunidade, celebrar nossa história e mostrar que Itapemirim tinha — e continua tendo — razões de sobra para olhar para o futuro com esperança.
Naqueles dias, inaugurávamos escolas, pavimentávamos ruas, iluminávamos praças, incentivávamos o esporte, promovíamos a agricultura e criávamos condições para que o turismo pudesse crescer. Mas, por trás de cada obra, havia uma ideia maior: mostrar ao itapemirinense que sua terra tinha valor e que era possível acreditar em suas próprias potencialidades.
E se há uma coisa que gostaria que você jamais esquecesse é o homem do campo.
Itapemirim nasceu e cresceu com as mãos calejadas de seus agricultores. A cana-de-açúcar ajudou a construir nossa história, assim como a pecuária, a produção rural e, mais tarde, tantas outras atividades que sustentaram famílias e comunidades.
Valorize o produtor rural, Geninho. Olhe para aquele que acorda cedo, enfrenta sol e chuva e tira da terra o sustento da família. Fortaleça a nossa produção, incentive quem trabalha no campo e não deixe que o desenvolvimento aconteça de costas para a zona rural.
Nossa bacia leiteira, nossos criadores e pequenos produtores representam muito mais do que números da economia. Eles carregam uma parte da identidade de Itapemirim. Quando o campo prospera, o comércio se movimenta, as famílias permanecem em suas comunidades e o município inteiro ganha.
Mas Itapemirim não é somente trabalho.
É também fé.
Nossa história está profundamente ligada à devoção a Nossa Senhora do Amparo, padroeira que reúne gerações e mantém viva uma tradição que atravessa o tempo. Nas festas, nas procissões, nas missas e nas manifestações religiosas, o povo encontra uma forma de reafirmar suas raízes e renovar a esperança.
Por isso, meu neto, nunca se esqueça de que fé, tradição e desenvolvimento podem caminhar juntos.
E há outra coisa que considero fundamental: dê alegria ao povo.
Talvez alguém possa perguntar por que um prefeito deveria se preocupar com festas, música, futebol, desfiles, apresentações culturais e encontros comunitários quando existem tantos problemas para resolver.
Eu responderia: porque o povo também precisa sorrir.
Uma administração pública deve construir escolas, ruas, praças e estradas, mas também precisa proporcionar momentos em que as famílias possam se encontrar, celebrar e sentir orgulho da terra onde vivem.
Foi assim que entendemos os festejos de Itapemirim: como uma grande celebração da nossa gente. Naqueles dias, a cidade recebia esporte, música, cultura, religião, homenagens e encontros. O produtor rural era lembrado, as crianças participavam, as famílias saíam às ruas e a comunidade se reconhecia em sua própria história.
Isso é política pública também: cuidar da autoestima de um povo.
Você encontrará dificuldades, críticas e aqueles que sempre dirão que não é possível. Eu também encontrei. Mas aprendi que o administrador precisa olhar para frente.
Não tenha medo de acreditar em Itapemirim.
Acredite na força e na riqueza do interior, na produção rural, nos nossos pescadores, nas nossas praias, no turismo, na cultura, na juventude e, principalmente, na capacidade de trabalho de nossa gente.
Quando olhar para o município, lembre-se de sua história. Antes de nós, outras gerações abriram caminhos, cultivaram a terra, ergueram igrejas, movimentaram o antigo porto e construíram as comunidades que chegaram até os nossos dias.
Agora é a nossa vez de deixar alguma coisa para aqueles que virão depois.
Não governe apenas para o presente. Governe para que seus filhos e netos possam olhar para Itapemirim e dizer: valeu a pena acreditar.
E quando chegar o próximo mês de setembro, quando Nossa Senhora do Amparo reunir novamente o povo, quando as ruas estiverem cheias, quando a música tocar e as famílias celebrarem, espero que você compreenda aquilo que sempre procurei ensinar:
uma cidade forte é aquela que conhece sua história, respeita suas tradições, valoriza quem trabalha e nunca perde a capacidade de sonhar.
Cuide de Itapemirim.
Cuide do homem do campo.
Cuide do produtor rural.
Cuide da nossa fé e das nossas tradições.
E, sobretudo, cuide do povo.
Porque é nele que está a verdadeira força deste município.
Com carinho,
João Bechara
Nota editorial
Esta “carta” é um ensaio fictício criado pela editoria de O JORNAL, elaborado a partir das informações e do contexto histórico de uma reportagem sobre os festejos de Itapemirim em 1980. O texto não corresponde a uma carta original escrita por João Bechara e foi produzido como recurso narrativo para estabelecer um diálogo imaginário entre o então prefeito e seu neto, o atual prefeito Geninho Alves, resgatando valores, tradições e ideias presentes naquele período da história do município.






