Estamos muito perto do fim do mundo como conhecemos hoje

Por Ricardo Mignone

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24/08/2026

Ricardo Mignone

Jornalista

Nunca a humanidade teve mudanças tão aceleradas como está ocorrendo nesses primeiros 26 anos do Século 21. Por exatos três séculos o Ocidente dominou o mundo. Vários impérios ruíram. O britânico, o francês, o espanhol… Desde o fim da Segunda Guerra Mundial quem domina o mundo são os Estados Unidos da América. Calçado no poder bélico, sobretudo nuclear, financiaram golpes de Estado mundo agora, invadiram países democráticos ou não, impuseram suas regras de política internacional e econômica. Mas agora isso está ruindo. No decorrer deste artigo tento explicar por que.

Em uma troca de petróleo por ajuda militar, os EUA e as monarquias do Oriente Médio, sobretudo Arábia Saudita, empurraram goela abaixo do resto do mundo o dólar como moeda segura e infalível. Criaram o tal do “petrodólar”. O primeiro baque nesse status quo foi a crise do petróleo de 1973. Menos de duas décadas depois veio a Primeira Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991. E em 11 de setembro de 2001, o atentado em Nova Iorque.

Naquele ano eu cursava o MBA em Mercado Financeiro na USP/FACAMP. E foi lá que meu coordenador do curso, o economista José Roberto Securatto já alertava que países na época ainda “emergentes” como China, Índia e Rússia, estavam comprando ouro absurdamente para lastrear suas moedas. E que no médio prazo a China, por exemplo, iria ter lastro em ouro suficiente para abandonar o dólar como moeda comercial e passaria a usar o yuan. Exatamente o que acontece agora.

A dívida pública dos EUA bateu nesta semana em US$40 trilhões, muito maior do que o PIB estadunidense, de US$30 trilhões (2025). Para tentar evitar que o mundo perca de vez a confiança no dólar, o Federal Reserve não pára de aumentar os juros. Mesmo assim, muitos países estão fugindo do dólar. Outros, como a França, já retiraram todo o seu ouro que estava guardado em segurança nos EUA. Ora, porque vocês acham que o Trump nesta semana simplesmente roubou 31 toneladas de ouro da Venezuela que estavam sob custódia dos EUA? Isso não tem saída.

Sabem por que os EUA não tem saída? É porque a China é o maior detentor de títulos da dívida dos EUA. Isso significa que se correr o bicho pega, se ficar ele come! Tudo isso decorrente de décadas de um modelo econômico calçado em petrodólares… Moeda sem lastro em ouro. E Trump piorou o cenário ainda mais ao apoiar a Ucrânia na guerra contra a Rússia e atacar deliberadamente o Irã! Somente na guerra contra o país persa Trump gasta US$1 bilhão por dia! Isso acelerou a desconfiança global sobre o dólar. Estamos perto de ver o último império de um país do Ocidente ruir. Estamos prestes a ver a maior crise econômica mundial da História da humanidade.

Daí a importância das eleições de 4 de outubro no Brasil. Estamos na encruzilhada entre continuar no caminho da independência econômica ou abrir as pernas, literalmente, ao intervencionismo estadunidense e ceder nossas riquezas minerais, nossa reserva de água doce, nossa produção de alimentos e a dignidade e independência do nosso povo a um país estrangeiro. O resultado do pleito vai definir não o Brasil dos próximos quatro anos, mas décadas do nosso futuro.

*Artigo do jornalista Ricardo Mignone, formado pela UFES em 1989, com MBA em Mercado Financeiro pela USP/FACAMP