Técnica de enfermagem que participou do atendimento afirma que cilindro de oxigênio e bolsa de ventilação apresentaram problemas durante a tentativa de reanimação de Diogo Pompermayer Marchiori, de 13 anos.
A morte do adolescente Diogo Pompermayer Marchiori, de 13 anos, morador de Piúma, no Sul do Espírito Santo, ganhou novos desdobramentos após o relato de uma técnica de enfermagem que participou dos primeiros socorros durante o voo que saiu de Vitória com destino a São Paulo, na manhã de quinta-feira (5).
A profissional relatou dificuldades para utilizar os equipamentos de emergência disponíveis na aeronave da Gol Linhas Aéreas. Segundo ela, os dispositivos de oxigênio e ventilação apresentaram problemas justamente no momento em que o adolescente precisava de atendimento de urgência.
As declarações levantam questionamentos sobre as condições dos equipamentos médicos disponibilizados a bordo e os procedimentos adotados pela companhia aérea durante a ocorrência.
Equipamentos teriam apresentado problemas
De acordo com Thakyla Hendyl, uma das profissionais que auxiliaram no socorro, as máscaras de oxigênio disponibilizadas pela tripulação não funcionaram. Ela também relatou que o cilindro apresentava problemas no regulador de fluxo, liberando uma quantidade muito baixa de oxigênio.
Outro obstáculo teria sido a conexão entre o cilindro e o Ambu, equipamento utilizado para ventilação manual de pacientes que não conseguem respirar adequadamente.
Segundo a técnica, não havia o adaptador necessário para conectar os dois dispositivos. Com isso, durante parte das manobras de reanimação, a ventilação precisou ser realizada com o ar ambiente, sem o fornecimento suplementar de oxigênio.
A profissional também afirmou que foram abertas outras máscaras na tentativa de encontrar uma que funcionasse, mas o problema persistiu.
Técnica questiona atuação da tripulação
Além dos problemas relatados nos equipamentos, a técnica de enfermagem questionou a atuação dos comissários durante a emergência.
Embora tenha reconhecido que os funcionários foram solícitos, ela afirmou que faltou participação prática nas manobras de primeiros socorros. Segundo seu relato, os profissionais não realizaram massagem cardíaca e tiveram dificuldades para localizar e utilizar os equipamentos necessários.
Uma médica que também estava entre os passageiros participou do atendimento, auxiliando nas tentativas de reanimação do adolescente.
Família também questiona demora no atendimento em Guarulhos
Os questionamentos não se restringem ao atendimento dentro da aeronave. Familiares e passageiros também relataram demora para a disponibilização da escada de desembarque e para a chegada da ambulância após o pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O voo G3 1389 recebeu prioridade para aterrissagem e pousou às 7h16, aproximadamente 19 minutos antes do horário previsto.
Segundo relatos publicados pela imprensa, a espera pela estrutura de desembarque e pelo atendimento médico teria durado entre 20 e 25 minutos, embora os tempos exatos ainda precisem ser esclarecidos pelas autoridades responsáveis.
A técnica afirmou que a ambulância disponibilizada era de suporte básico e que precisou continuar auxiliando nas manobras durante o transporte até o Hospital Geral de Guarulhos.
Gol afirma que protocolos foram cumpridos
Em manifestação divulgada após o ocorrido, a Gol informou que a tripulação realizou os primeiros socorros com o apoio de uma profissional de saúde que estava entre os passageiros.
A empresa declarou que solicitou prioridade para o pouso, que ocorreu antecipadamente, e que todos os protocolos previstos para situações dessa natureza foram cumpridos. O adolescente foi encaminhado de ambulância a uma unidade hospitalar, acompanhado pelos pais.
A companhia lamentou profundamente a morte e informou ter oferecido assistência à família.
A administração do Aeroporto de Guarulhos, por sua vez, afirmou que mobilizou sua equipe de emergência após receber a solicitação e que foram prestados os primeiros atendimentos antes do encaminhamento do adolescente ao hospital.
Morte deixa perguntas que precisam ser esclarecidas
Diogo era morador de Piúma e fazia acompanhamento médico por um problema cardíaco desde a infância. Ele viajava com os pais para São Paulo, onde tinha consulta programada no Hospital Israelita Albert Einstein para dar continuidade ao tratamento.
O adolescente passou mal durante a viagem, apresentou uma emergência cardíaca e, apesar das tentativas de reanimação a bordo e do atendimento hospitalar, não resistiu.
A morte provocou comoção entre familiares, amigos e moradores do litoral sul capixaba e também abriu questionamentos sobre a manutenção dos equipamentos de emergência das aeronaves, o treinamento das equipes e a estrutura de atendimento médico nos aeroportos.
Os relatos da técnica de enfermagem reforçam a necessidade de esclarecimentos por parte da companhia aérea e dos responsáveis pelo atendimento em solo. É importante, entretanto, que uma eventual investigação técnica apure as condições dos equipamentos e os procedimentos adotados, sem antecipar uma relação de causa e efeito entre as dificuldades relatadas e o falecimento do adolescente.
O JORNAL seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.





















