Evitar o banho de mar nas proximidades é uma das dicas – Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
Um documento revelou que a mancha que apareceu no mar da Praia da Guarderia, na Praia do Canto, em Vitória, não tem uma causa única. A avaliação técnica aponta que o fenômeno resultou, provavelmente, da combinação de fatores ambientais e estruturais.
De acordo com a Nota Técnica nº 01/2026, aprovada pelo Grupo de Trabalho da Mancha na Guarderia, que reúneo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e outros órgãos, entre os fatores identificados, destaca-se a paralisação temporária da bomba de tempo seco da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap), entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. A estação intercepta ligações irregulares de esgoto.
Contribuições difusas de municípios da Região Metropolitana e condições naturais favoráveis à proliferação de microalgas também foram identificadas como fatores agravantes.
Área imprópria para banho
A Nota Técnica classifica a área no entorno da manilha de drenagem como imprópria para banho, em razão do risco à saúde pública devido à presença de fonte pontual ativa de poluição e da variabilidade dos resultados microbiológicos.
O Ponto 14, localizado em frente ao Quiosque do Alemão, foi identificado como área sensível, com indícios de contaminação recorrente e origem ainda não plenamente determinada. O local demanda monitoramento contínuo e investigações complementares.
Medidas recomendadas
Entre as medidas recomendadas estão a identificação e correção de ligações clandestinas de esgoto na rede pluvial e o monitoramento permanente da caixa de tempo seco.
Também foi indicada a retirada, a médio prazo, de manilhas de drenagem da faixa de praia, com prioridade para as estruturas da Ponte da Ilha do Frade, da orla norte de Camburi e da Ilha das Caieiras.
As conclusões têm caráter preliminar, pois os resultados dos parâmetros físico-químicos coletados ainda estão sendo processados em laboratório.
O Grupo de Trabalho realizará nova reunião na segunda quinzena de maio para avaliar os resultados mais consolidados das coletas e as demais providências relacionadas ao tema.
O que diz a Cesan?
Em nota, a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) destacou que a Ebap é de competência da Prefeitura de Vitória. Além disso, o órgão afirmou que a contaminação não é causada por esgoto sanitário proveniente de redes operadas pela Companhia e que o sistema de coleta e tratamento de esgoto que atende a região encontra-se em perfeito funcionamento.
“É importante registrar que, esses coliformes são provenientes da rede de drenagem pluvial, de responsabilidade da prefeitura, que deságua em uma manilha na praia. Essa rede coleta exclusivamente a água das chuvas, que corre pelas ruas da cidade levando resíduos como fezes e urina de animais, matéria orgânica em decomposição e diversos outros contaminantes, lançados diretamente no mar por rede que não é de propriedade da Cesan”, disse.
A Companhia também informou que documentos oficiais comprovam que em 19 de dezembro de 2025 a Cesan notificou o município sobre o risco de extravasamento da rede de drenagem pluvial devido a falhas em obra realizada pela Prefeitura de Vitória na Ebap da Praia do Canto.
De acordo com o órgão, todas as redes que integram seu sistema de coleta e tratamento de esgoto são subterrâneas e nenhuma parte fica exposta em áreas públicas ou praias.
“Nesse contexto, qualquer tubulação que lance no ambiente água com aspecto e odor de esgoto é proveniente das redes de drenagem pluviais que são de responsabilidade das prefeituras municipais.”
























