Japonês que é pago para não fazer nada

Por

Shoji Morimoto, que cobra 10.000 ienes (US$ 71,30) por reserva para acompanhar clientes e simplesmente existir como acompanhante, posa na travessia de Shibuya em Tóquio, Japão, em 31 de agosto de 2022 — Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Shoji Morimoto tem o que alguns considerariam um emprego dos sonhos: ele é pago para não fazer praticamente nada. O morador de 38 anos de Tóquio, no Japão, cobra 10 mil ienes (367 reais) por reserva para acompanhar os clientes e simplesmente "existir" como acompanhante.

"Basicamente, eu me alugo. Meu trabalho é estar onde meus clientes querem que eu esteja e não fazer nada em particular", disse Morimoto à Reuters, acrescentando que fez cerca de 4 mil trabalhos do tipo nos últimos quatro anos.

 

No Twitter, Morimoto agora possui quase 250 mil seguidores, onde encontra a maioria de seus clientes. Aproximadamente um quarto deles são recorrentes — incluindo um que o contratou 270 vezes.

Seu trabalho já o levou a um parque com uma pessoa que queria brincar de gangorra. Em outra ocasião, o japonês sorriu e acenou pela janela de trem para um completo estranho que queria uma despedida.

Mas não fazer nada não significa que Morimoto fará qualquer coisa. Ele recusou ofertas para mudar uma geladeira de lugar, para ir para o Camboja, e não aceita nenhum pedido de natureza sexual.

Antes de Morimoto encontrar sua verdadeira vocação, ele trabalhou em uma editora e muitas vezes foi repreendido por "não fazer nada". "Comecei a me perguntar o que aconteceria se eu fornecesse minha capacidade de 'não fazer nada' como um serviço aos clientes", disse.

O negócio de companheirismo é agora a única fonte de renda de Morimoto, com a qual ele sustenta sua esposa e filho. Embora tenha se recusado a divulgar quanto ganha, ele disse que atende cerca de um ou dois clientes por dia. Antes da pandemia, eram três ou quatro.

Após passar uma quarta-feira sem fazer nada em Tóquio, Morimoto refletiu sobre a natureza bizarra de seu trabalho e pareceu questionar uma sociedade que valoriza a produtividade e ridiculariza a inutilidade.

"As pessoas tendem a pensar que meu 'não fazer nada' é valioso porque é útil (para os outros)", afirmou. "Mas não há problema em não fazer nada. As pessoas não precisam ser úteis de uma maneira específica."

 

Mais Notícias

Aconteceu no Mundo

Treinador de futebol é preso por esfaquear jovem de 16 anos na Espanha

Aconteceu no Mundo

Carro atropela multidão em Munique, deixa 20 feridos e motorista é preso

Aconteceu no Mundo

Paciente é encontrado morto após pular de ambulância e fugir na Espanha

Aconteceu no Mundo

Selena Gomez chora ao defender imigrantes deportados e é criticada

Aconteceu no Mundo

Homem perdoado por ataque ao Capitólio morre baleado pela polícia nos EUA

Aconteceu no Mundo

EUA registram recorde de pessoas em situação de rua em 2024

Aconteceu no Mundo

Avião civil derrubado no Cazaquistão pode ter sido abatido por sistema de defesa russo

Aconteceu no Mundo

Maduro muda data do Natal na Venezuela que passa ser comemorado em 1º de outubro

Aconteceu no Mundo

Calor extremo mata mais de mil muçulmanos durante peregrinação a Meca

Aconteceu no Mundo

Número de refugiados cresce 8% e chega a 120 milhões em todo o mundo

Aconteceu no Mundo

"Usava fones": Mulher morre atropelada por trem na Espanha

Aconteceu no Mundo

Fortuna dos cinco homens mais ricos do mundo dobrou desde 2020

Aconteceu no Mundo

Coreia do Sul aprova lei que proíbe consumo de carne de cachorro

Aconteceu no Mundo

'Aviso que vem mais', diz Milei em meio a panelaços contra desregulação

Aconteceu no Mundo

Milei quer usar Forças Armadas para reprimir protestos contra arrocho e inflação

Aconteceu no Mundo

Após tentar sair em foto oficial sem suceso, Bolsonaro é expulso de restaurante na Argentina (vídeo)

Aconteceu no Mundo

Homem vê condenação anulada após 12 anos preso. Testemunha era cega

Aconteceu no Mundo

Toneladas de sardinhas mortas aparecem na costa no Japão

Aconteceu no Mundo

Chapéu de Napoleão Bonaparte é leiloado por R$ 5 milhões

Aconteceu no Mundo

"O povo palestino tem o direito de viver e de ter seu próprio país", diz Arnold Schwarzenegger