Trump volta a defender controle dos EUA sobre a Groenlândia

Por

247

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Threads

Presidente dos EUA afirma que controle da Groenlândia é vital para conter China e Rússia no Ártico, mas admite risco de atrito com a Otan – Foto: Crédito: REUTERS/Marko Djurica

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender que a Groenlândia fique sob controle norte-americano, alegando que o território é estratégico para a segurança dos EUA diante do avanço de China e Rússia no Ártico, mas reconheceu que a iniciativa poderia gerar desgaste com aliados da Otan. As declarações foram feitas nesta terça-feira (7), durante uma reunião bilateral antes da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em Ancara.Play Video

Trump afirmou que a Dinamarca não tem investido o suficiente na Groenlândia e sustentou que a posição geográfica da ilha tornou o território ainda mais relevante para os interesses militares e geopolíticos dos Estados Unidos. A Groenlândia é um território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca e tem papel estratégico no Ártico, região que ganha importância crescente em meio à disputa internacional por rotas marítimas, recursos naturais e presença militar.

Durante a reunião, o presidente norte-americano disse que o tema pode afetar sua relação com a aliança militar ocidental. “Isso prejudicaria minha relação com a Otan”, afirmou Trump, ao tratar da possibilidade de os Estados Unidos ampliarem o controle sobre o território.

Trump também voltou a criticar a gestão dinamarquesa sobre a ilha e vinculou sua posição à presença de embarcações estrangeiras na região. “A Groenlândia não ajuda a Dinamarca, a Dinamarca não gasta dinheiro para realmente ajudar a Groenlândia, mas ela é uma parte importante para os Estados Unidos e está cercada por navios chineses e russos — e isso não vai acontecer”, declarou.

Em seguida, o presidente dos EUA reforçou sua posição sobre o território. A Groenlândia “deveria ser controlada pelos Estados Unidos, não pela Dinamarca”, disse Trump.

A fala reacende uma controvérsia que acompanha Trump desde seu primeiro mandato, quando ele já havia manifestado interesse em anexar a Groenlândia. O tema voltou à agenda internacional nos últimos meses, em meio a discussões dentro do governo norte-americano sobre alternativas para ampliar a influência dos EUA na ilha.

Embora Trump tenha passado a defender com mais frequência um acordo de longo prazo em vez de uma anexação direta, integrantes de sua administração continuam tratando a Groenlândia como peça central para a segurança nacional norte-americana. O argumento da Casa Branca é que a presença de China e Rússia no Ártico aumenta a necessidade de os Estados Unidos reforçarem sua posição na região.

Trump já havia se recusado a descartar o uso de ação militar para adquirir a Groenlândia, embora posteriormente tenha dado mais ênfase a uma solução negociada. No início do ano, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente passou a defender a construção de um entendimento de longo prazo para tratar do tema.

A insistência de Trump, no entanto, ampliou tensões diplomáticas com a Dinamarca, com a própria Groenlândia e com aliados europeus. A ilha já reagiu anteriormente a declarações do presidente norte-americano e rejeitou a ideia de ser tratada como um território disponível para transferência de controle.

A Groenlândia tem localização considerada estratégica por estar entre a América do Norte e a Europa e por se situar em uma região cada vez mais disputada no Ártico. Além de seu valor militar, o território desperta interesse por seus recursos naturais e pela possibilidade de abertura de novas rotas de navegação com o avanço do degelo.

Mais Notícias

No data was found