Grandes empresas americanas pressionam EUA contra tarifa sobre produtos brasileiros

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Coca-Cola, Tesla e eBay alertam que taxação pode elevar custos, afetar cadeias produtivas e prejudicar consumidores nos Estados Unidos – Repreodução

 Grandes empresas dos Estados Unidos estão se mobilizando para impedir que o governo norte-americano imponha novas tarifas sobre produtos brasileiros. Entre elas estão gigantes como Coca-Cola, Tesla e eBay, que encaminharam manifestações formais ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), alertando que a medida poderá prejudicar a própria economia norte-americana, segundo o jornal Valor Econômico.

Os documentos foram enviados em resposta a uma consulta pública aberta pelo USTR. Em seus comentários, as empresas sustentam que a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros teria impacto negativo sobre cadeias de suprimentos, aumentaria os custos de produção, reduziria a competitividade da indústria americana e poderia resultar em preços mais elevados para consumidores dos Estados Unidos.

Coca-Cola alerta para risco de interrupção da cadeia de suprimentos

A Coca-Cola solicitou ao governo norte-americano a manutenção da isenção tarifária para os insumos de laranja importados do Brasil e pediu ainda que seja criada uma exclusão equivalente ou um regime de transição para os insumos de limão utilizados na fabricação de suas bebidas.

Segundo a companhia, a tributação adicional “poderia provocar interrupções nas cadeias de suprimentos” e “elevaria os custos de produção no país”.

A empresa acrescenta que qualquer decisão do USTR deve “ser direcionada e operacionalmente viável, de forma a alcançar esses objetivos sem causar interrupções desnecessárias à indústria americana de alimentos e bebidas”.

A preocupação reflete a importância do Brasil como fornecedor de matérias-primas para o mercado norte-americano. Dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que os Estados Unidos são o maior importador de suco de laranja congelado brasileiro. Apenas em 2026, as exportações para aquele mercado já alcançam R$ 139 bilhões. No caso dos limões, os EUA ocupam a 15ª posição entre os principais destinos das exportações brasileiras.

Tesla diz que produtos brasileiros são essenciais

A Tesla, fabricante de veículos elétricos comandada por Elon Musk, também apresentou argumentos contrários à imposição de tarifas.

No documento encaminhado ao governo norte-americano, a empresa afirma que qualquer decisão deve considerar “as limitações das cadeias de suprimentos e outros fatores que atualmente afetam os fabricantes americanos”.

A montadora lembra que investiu bilhões de dólares para construir uma cadeia de fornecimento robusta e verticalmente integrada nos Estados Unidos, mas ressalta que “certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos na escala e com a qualidade necessárias para sustentar uma manufatura americana competitiva”.

A empresa informa ainda que utiliza peças e componentes adquiridos no Brasil e, por isso, defende a adoção de “medidas cuidadosamente calibradas, que levem em conta essa realidade”.

eBay afirma que consumidores seriam prejudicados

O tradicional portal de comércio eletrônico eBay também se posicionou contra a criação de tarifas para produtos brasileiros.

Em um documento de 13 páginas enviado ao USTR, a empresa solicita que produtos usados comercializados na plataforma sejam isentos da cobrança. Segundo o eBay, “a isenção evitaria aumento de custos para milhões de famílias americanas”.

A empresa explica que parte significativa do comércio internacional realizado em sua plataforma envolve pequenos revendedores, para os quais a criação de tarifas geraria custos fixos de importação capazes, em muitos casos, de superar o próprio valor das mercadorias.

Na avaliação do eBay, isso tornaria diversas operações economicamente inviáveis, reduzindo a oferta de produtos usados e prejudicando consumidores que dependem desse mercado para adquirir bens a preços mais acessíveis.

A companhia acrescenta ainda que a tributação de itens de segunda mão não produziria qualquer efeito sobre fabricantes brasileiros, uma vez que esses produtos já foram comercializados anteriormente e as empresas responsáveis por sua fabricação “receberam pelas vendas dos produtos ‘zero’ anos antes”.

Consulta reuniu centenas de manifestações

Ao todo, o USTR recebeu 365 manifestações de empresas, entidades de classe e cidadãos durante o período de consulta pública.

Os posicionamentos de Coca-Cola, Tesla e eBay evidenciam que parte importante do setor empresarial americano avalia que a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pode gerar consequências negativas para a própria economia dos Estados Unidos, afetando desde a indústria de alimentos e bebidas até o setor automotivo e o comércio eletrônico.

Os documentos reforçam o argumento de que medidas protecionistas podem elevar custos de produção, comprometer cadeias globais de suprimentos e reduzir a competitividade das empresas americanas, além de atingir diretamente os consumidores do país.

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