Rede reúne 1.250 coletores e 354 espécies nativas; no Espírito Santo, produção de sementes cresce e Anchieta mantém cultivo de espécies de mangue
A recuperação da Mata Atlântica na Bacia do Rio Doce começa também por um trabalho que pode parecer pequeno, mas tem papel estratégico na restauração de grandes áreas: a coleta de sementes nativas.
Em Minas Gerais e no Espírito Santo, a Rede Rio Doce de Sementes e Mudas já reúne cerca de 1.250 coletores, distribuídos em 33 núcleos, responsáveis pela coleta de mais de 185 toneladas de sementes de espécies nativas desde o início da iniciativa. O banco reúne 354 espécies da Mata Atlântica, utilizadas na produção de mudas, semeadura direta e recuperação de áreas degradadas.
A iniciativa integra as ações ambientais relacionadas ao Novo Acordo do Rio Doce e, além da recuperação florestal, envolve comunidades locais na cadeia produtiva da restauração. Segundo dados divulgados pela Samarco, aproximadamente R$ 16,4 milhões já foram destinados aos coletores de sementes desde a criação da Rede.
Espírito Santo amplia participação
No Espírito Santo, a Rede atua atualmente em Alto Rio Novo e Linhares. O destaque fica por conta de Alto Rio Novo, onde a participação da Associação de Coletores de Sementes Nativas fez o volume coletado praticamente saltar de patamar.
Foram 3 toneladas de sementes coletadas em 2025. Para este ano, a previsão é alcançar 10,5 toneladas, mais que o triplo do volume registrado anteriormente.
O crescimento mostra como a restauração ambiental também pode movimentar uma cadeia econômica formada por moradores e comunidades que possuem conhecimento sobre as espécies e os períodos adequados para coleta.
De uma semente a uma nova floresta

As sementes recolhidas não têm apenas um destino. Elas podem ser utilizadas diretamente na recuperação do solo ou encaminhadas para a produção de mudas, que posteriormente são utilizadas em áreas destinadas ao reflorestamento.
Em Minas Gerais, o Centro de Desenvolvimento Ambiental, Social e Florestal (Cedasf), mantido pela Samarco em Ouro Preto, atingiu neste ano capacidade superior a 300 mil mudas por ano.
Desde sua implantação, em 2019, o viveiro já produziu aproximadamente 1 milhão de mudas, sendo mais de 500 mil somente em 2025 e 2026. Entre as espécies mais procuradas estão ipês e quaresmeiras.
As mudas são destinadas a áreas de plantios compensatórios e reparatórios, além de campanhas ambientais e doações.
Anchieta entra no mapa da restauração
No Espírito Santo, o trabalho também ganha um componente específico na região costeira.
Em Anchieta, a Samarco mantém o cultivo de mangue-branco e mangue-preto, espécies características dos manguezais. A produção atende a uma condicionante ambiental do Ibama relacionada ao plantio de 14 hectares em área limítrofe a uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável.
A meta informada pela empresa é produzir 14 mil mudas até meados de 2027.
O trabalho amplia o alcance da restauração para além das áreas florestais tradicionais, alcançando também um dos ecossistemas mais importantes do litoral, os manguezais.
Recuperação ambiental e geração de renda
A Rede Rio Doce de Sementes e Mudas aposta em uma combinação entre conservação ambiental e participação comunitária. A coleta transforma o conhecimento sobre a floresta em uma atividade que gera renda e, ao mesmo tempo, fornece matéria-prima para a recuperação de áreas degradadas.
A Samarco informa que as ações fazem parte dos programas de reparação vinculados ao Novo Acordo do Rio Doce. Entre as metas previstas no acordo está a restauração de 50 mil hectares e a recuperação de 5 mil nascentes ao longo da bacia. Até agosto de 2026, a empresa informa ter alcançado 47,6 mil hectares de áreas cercadas e protegidas e 4,6 mil nascentes protegidas.
Nesse processo, a semente representa apenas o primeiro passo de uma cadeia que envolve coleta, produção de mudas, plantio, manutenção e acompanhamento das áreas restauradas.
No Rio Doce, a reconstrução da paisagem passa, literalmente, pelas mãos de quem conhece a floresta e sabe onde encontrar aquilo que pode ajudar a fazê-la nascer novamente.

























