Brent, referência mundial da commodity, recuou 8,7% em um único pregão e atingiu o menor patamar em mais de dois meses; expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã aumenta otimismo dos investidores, mas cenário ainda é incerto
O mercado internacional de petróleo registrou uma forte queda nesta quarta-feira (4), após sinais de possíveis mudanças no cenário político e diplomático que poderiam abrir caminho para o encerramento da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A expectativa de redução das tensões no Oriente Médio provocou uma onda de vendas da commodity, levando as principais referências mundiais a recuarem mais de 8% em uma única sessão.
O movimento foi impulsionado principalmente pelo resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos, nas quais o Partido Democrata conquistou o controle do Congresso, impondo uma derrota política ao Partido Republicano, do presidente Donald Trump.
Para os investidores, a nova configuração política poderá aumentar a pressão sobre a Casa Branca para buscar uma solução diplomática para o conflito, reduzindo o risco de novos ataques militares e de interrupções no fornecimento mundial de petróleo.
Brent perde quase US$ 9 em um dia
A dimensão da queda ficou evidente nas negociações de quarta-feira. O petróleo Brent, referência internacional utilizada no mercado global, encerrou o pregão cotado a US$ 94,62 por barril, uma retração de US$ 8,98, equivalente a 8,7%.
Já o West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado norte-americano, recuou US$ 7,97, ou 8,3%, terminando o dia a US$ 88,12 por barril.
Os dois indicadores atingiram seus menores valores de fechamento desde 31 de agosto, refletindo a retirada de parte do chamado prêmio de risco geopolítico, que havia elevado as cotações diante do temor de que a guerra comprometesse o abastecimento internacional.
A queda também foi influenciada pela perspectiva de recuperação dos fluxos de petróleo provenientes do Oriente Médio, especialmente com a possibilidade de normalização do transporte marítimo na região do Estreito de Ormuz.
Eleições americanas mudam expectativas sobre a guerra
O resultado das eleições legislativas norte-americanas tornou-se um dos principais fatores para a mudança de percepção dos investidores.
Com os democratas assumindo o controle das duas Casas do Congresso, Trump poderá enfrentar maior resistência política e dificuldades para manter uma estratégia militar prolongada contra o Irã.
O conflito, que já se arrasta há aproximadamente 250 dias, provocou impactos significativos sobre os mercados de energia, elevando os custos dos combustíveis e pressionando a inflação em diferentes países.
A derrota republicana nas urnas também foi associada ao descontentamento de parte do eleitorado com os efeitos econômicos da guerra, especialmente o encarecimento da gasolina e de outros produtos.
Apesar do otimismo dos mercados, ainda não existe um acordo definitivo de paz. As negociações diplomáticas continuam cercadas de incertezas e dependem de concessões políticas e estratégicas das partes envolvidas.
Quinta-feira registra recuperação parcial das cotações
Mesmo com a forte desvalorização registrada na véspera, o mercado voltou a apresentar oscilações nesta quinta-feira (5).
Após atingir US$ 93,65 durante as negociações da manhã, o Brent recuperou parte das perdas e chegou a US$ 96,92, com alta de 2,43%, segundo informações divulgadas pela Reuters às 16h43 GMT. O WTI também avançou, alcançando US$ 90,27, com valorização de 2,44%.
A recuperação ocorreu em meio a novas preocupações com a segurança do transporte marítimo de petróleo no Oriente Médio. Relatos de incidentes envolvendo embarcações na região reacenderam o temor de interrupções no abastecimento.
O comportamento demonstra que, embora os investidores estejam apostando em uma possível redução das tensões, qualquer novo episódio militar poderá provocar outra reação expressiva nas cotações.
Queda poderá influenciar preços dos combustíveis?
A desvalorização do petróleo no mercado internacional também desperta atenção no Brasil, onde as oscilações da commodity influenciam os custos de produção, importação e comercialização dos derivados.
Uma redução sustentada das cotações internacionais poderá favorecer a diminuição dos custos dos combustíveis, com possíveis reflexos sobre gasolina, diesel, transporte de cargas e cadeia produtiva.
Entretanto, a queda do barril não significa redução imediata dos preços nas bombas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor final dos combustíveis no Brasil também depende do preço praticado nas refinarias, dos tributos, dos custos de distribuição, das margens dos postos e da mistura obrigatória de biocombustíveis.
A política comercial da Petrobras também considera as condições do mercado brasileiro e não estabelece repasse automático de todas as oscilações internacionais para os consumidores.
Assim, o efeito para os motoristas brasileiros dependerá da duração da queda, do comportamento do câmbio, das decisões das refinarias e das condições do mercado interno.
Por enquanto, o mercado mundial acompanha os próximos movimentos diplomáticos entre Washington e Teerã. Uma eventual solução para o conflito poderá aliviar as pressões sobre o setor energético, mas a instabilidade no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de risco para a economia mundial.
*Fontes de apuração para elaboração da matéria: Reuters (4 e 5 de novembro de 2026), UOL Economia e Agência Nacional do Petróleo (ANP).



