Fraude milionária no café: homem é preso no ES por desvio que ultrapassam R$ 36 milhões

Por

Redação O JORNAL

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Threads

Investigação do Ministério Público aponta uso de notas fiscais de empresas de fachada para supostamente reduzir o pagamento de ICMS; investigado já responde a outras 15 ações penais relacionadas a crimes tributários

Um empresário do setor cafeeiro foi preso nesta quarta-feira (28), em Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, durante uma operação do Ministério Público Estadual (MPES) que investiga suspeitas de fraude tributária envolvendo aproximadamente R$ 36,6 milhões. A ação, denominada Operação Rebrota, apura um suposto esquema de utilização de documentos fiscais irregulares para simular operações comerciais e reduzir o recolhimento de impostos na comercialização de café conilon.

O mandado de prisão foi cumprido por equipes vinculadas ao Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (GAESF), ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO Norte) e à Promotoria de Justiça de Rio Bananal, com apoio da Assessoria Militar do Ministério Público e da Polícia Militar.

O nome do investigado não foi informado na divulgação oficial do MPES, que confirmou que o caso tramita em segredo de Justiça.

Notas fiscais de empresas de fachada

De acordo com as investigações, o empresário, responsável pela administração de uma empresa do ramo cafeeiro instalada no distrito de Primavera, na zona rural de Rio Bananal, teria utilizado notas fiscais emitidas por empresas consideradas inidôneas para registrar aquisições de café conilon em grão cru.

Essas empresas, conhecidas como “noteiras”, são suspeitas de emitir documentos fiscais sem que as operações comerciais correspondentes tenham ocorrido efetivamente nos moldes registrados.

A estratégia investigada teria como finalidade conferir aparência de legalidade às transações e permitir a supressão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Os investigadores também identificaram indícios da chamada “venda casada”, prática em que documentos fiscais são utilizados para registrar operações sem a correspondente movimentação física das mercadorias pelos estabelecimentos indicados nos documentos.

Investigação reúne 15 ações penais

Um dos pontos que chamaram a atenção do Ministério Público é o histórico de processos envolvendo o empresário.

Segundo o órgão, ele já respondia a três ações penais anteriores relacionadas a crimes contra a ordem tributária. Nesses processos, os créditos tributários consolidados somavam aproximadamente R$ 14,7 milhões.

Posteriormente, o investigado foi denunciado em outras 12 ações penais por suspeitas de fraudes fiscais semelhantes. Nesses processos, os créditos tributários definitivamente constituídos e inscritos em dívida ativa totalizam R$ 21.975.201,60.

Somados os valores dos processos anteriores e das denúncias mais recentes, o montante chega a aproximadamente R$ 36,6 milhões.

Os números correspondem aos créditos tributários relacionados às irregularidades investigadas e não significam, necessariamente, que esse valor tenha sido apreendido ou que represente integralmente o prejuízo financeiro efetivamente apurado.

Empresário já havia sido alvo de outras operações

A Operação Rebrota ocorre em meio a uma série de investigações conduzidas pelo Ministério Público para combater a sonegação fiscal na cadeia produtiva do café no Espírito Santo.

O empresário também havia sido alvo de apuração no âmbito da Operação Torrefação, conduzida anteriormente pelo GAECO, e de investigações relacionadas à Operação Recepa, voltada ao enfrentamento de esquemas de fraude tributária no setor cafeeiro.

Segundo o MPES, há indícios de que mecanismos semelhantes teriam continuado a ser utilizados mesmo diante de investigações anteriores e de processos criminais em andamento.

A nova operação busca aprofundar a apuração das suspeitas e interromper eventuais práticas que comprometam a arrecadação estadual e criem condições desiguais de concorrência entre empresas do setor.

Combate à sonegação fiscal

O Ministério Público destaca que o uso de empresas de fachada e de documentos fiscais inidôneos representa um desafio para os mecanismos de fiscalização tributária, especialmente em cadeias comerciais com grande volume de operações.

A apuração da Operação Rebrota deverá esclarecer as circunstâncias das transações investigadas e reunir elementos para a responsabilização dos envolvidos, conforme o resultado das investigações e dos processos judiciais.

A prisão do empresário não representa, por si só, uma condenação definitiva. O caso segue sob investigação, com garantia do direito à defesa e do devido processo legal.

Mais Notícias

FRAUDES

Big techs descumprem regras eleitorais no dia da votação, diz estudo

FRAUDES

Polícia Federal apreende R$ 2,8 milhões no primeiro turno das eleições

FRAUDES

Polícia Federal aponta ativos do Governo de São Paulo e da cidade de São Paulo no banco Digimais

FRAUDES

Caso Americanas: PF deflagra segunda fase da Operação Disclosure com bloqueio de R$ 54 bi

FRAUDES

Fraudes ligadas à Copa quase dobram e acendem alerta para 2026

FRAUDES

Mulher é indiciada pela PC por fraude que lesou idoso em R$ 130 mil em Venda Nova do Imigrante

FRAUDES

Operação Illicitus: Servidora do INSS do Espírito Santo é afastada por suspeita de fraudes em benefícios

FRAUDES

Operação Recepa cumpre 14 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão

FRAUDES

Sefaz, GAESF/MPES e instituições parceiras deflagram Operação Recepa contra fraudes fiscais no comércio de café

FRAUDES

Do porto aos postos: como funcionava o esquema bilionário de sonegação com combustível da Refit

FRAUDES

Quadrilha tomou de assalto o INSS durante o governo Bolsonaro, diz Pimenta

FRAUDES

PF aponta ex-ministro de Bolsonaro como pilar institucional de desvios

FRAUDES

Gaeco e MP investigam Organização Social que atuou na Saúde em Alfredo Chaves

FRAUDES

Itapemirim: Casal é preso suspeito de fraudar cartão alimentação. Prejuízo é de R$ 2 milhões

FRAUDES

MPF denuncia 13 ex-executivos das Americanas por fraudes na empresa

FRAUDES

Operação Overclean desarticula grupo que fraudava licitações

FRAUDES

Suspeitos de fraudarem empréstimos da Caixa são investigados pela PF

FRAUDES

Médicos que fraudavam plantões em hospital público do Amapá

FRAUDES

Prefeito de Criciúma é preso acusado de crimes relacionados a concessão de serviços funerários

FRAUDES

Eco101 é condenada pela Justiça Federal por fraudes em contrato de concessão da BR-101 entre ES e BA