O processo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, vive o seu momento de maior resolutividade prática. Prestes a completar dois anos de vigência, o Novo Acordo de Reparação da Bacia do Rio Doce consolidou a transição dos compromissos institucionais para entregas físicas e financeiras tangíveis nas cidades e comunidades afetadas em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Do orçamento global estimado em R$ 170 bilhões, o balanço mais recente aponta que R$ 82,6 bilhões já foram efetivamente executados desde o início das ações de reparação. O grande ponto de inflexão ocorre justamente no período recente: R$ 44,3 bilhões foram desembolsados sob as novas diretrizes do pacto, demonstrando uma aceleração sem precedentes no ritmo de investimentos após a mudança no modelo de governança.
Indenizações e o impacto na economia local
A descentralização e a desburocracia das regras de compensação financeira direta representam o avanço mais visível para a população. Ao todo, mais de 648 mil pessoas receberam algum tipo de indenização ou auxílio financeiro ao longo de todo o histórico pós-desastre.
Sob as novas regras fixadas pelo repacto, 357 mil pessoas foram contempladas, o que resultou na injeção direta de R$ 18,5 bilhões em pagamentos individuais na economia das regiões atingidas, garantindo suporte financeiro a famílias que aguardavam a resolução definitiva de seus processos.
Reconstrução urbana: Bento Rodrigues e Paracatu concluídos
No campo da infraestrutura, o fechamento de ciclos de obras complexas marca a devolução da dignidade habitacional e comunitária aos atingidos. As obras estruturais dos novos distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu, localizados em Mariana (MG), foram totalmente concluídas.
O balanço das frentes de engenharia e urbanismo registra:
395 edificações finalizadas e entregues.
Unidades divididas entre moradias residenciais e estabelecimentos comerciais.
22 edifícios públicos essenciais (como escolas, postos de saúde e centros comunitários) prontos para operação.
Metas ambientais e apoio ao produtor rural
A recuperação da bacia hidrográfica e o fomento às atividades rurais também apresentam indicadores consolidados de execução:
Proteção e Conservação: Os programas de restauração florestal atingiram 96% da meta de cercamento de áreas destinadas ao reflorestamento compensatório.
Recuperação de Nascentes: As ações de isolamento e preservação de fontes de água alcançaram 94% da meta estipulada, beneficiando diretamente mais de três mil propriedades rurais ao longo do curso do rio.
Fomento à Agricultura Familiar: O Programa de Transferência de Renda Rural (PTR) atendeu cerca de 15 mil produtores e agricultores em Minas Gerais e no Espírito Santo, assegurando condições financeiras para a retomada produtiva da terra.
Descentralização de recursos e adesão em massa dos municípios
O modelo de governança desenhado pelo Novo Acordo extinguiu os formatos anteriores de gestão e transferiu a execução das verbas compensatórias diretamente para o Poder Público. Essa estratégia garantiu capilaridade e autonomia para investimentos locais em políticas públicas.
Dos 49 municípios considerados elegíveis para o recebimento de repasses diretos nos dois estados, 45 já formalizaram a adesão aos planos de aplicação do recurso. Os valores bilionários transferidos aos cofres municipais e estaduais estão sendo vinculados obrigatoriamente a obras estruturantes de longo prazo, com foco em saneamento básico, melhorias na rede de saúde e educação, mobilidade urbana e projetos voltados ao desenvolvimento econômico regional.





















