Estado alcança taxa de desocupação de 2,3% no segundo trimestre e registra, pela primeira vez desde 2012, menos de 50 mil pessoas sem trabalho
O Espírito Santo alcançou no segundo trimestre de 2026 a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desocupação caiu para 2,3%, o menor índice registrado no Estado nos últimos 14 anos.
O resultado também coloca o Espírito Santo em posição de destaque no cenário nacional. O Estado apresentou a menor taxa de desemprego entre as unidades da Região Sudeste e ficou na terceira colocação no ranking brasileiro, atrás apenas de Santa Catarina e Mato Grosso.
Outro dado chama atenção: pela primeira vez desde 2012, o número de pessoas desocupadas no Espírito Santo ficou abaixo da marca de 50 mil pessoas, sinalizando um mercado de trabalho em um dos momentos de maior absorção de mão de obra desde o início da série histórica.
Os números do IBGE foram analisados pelo Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, que aponta uma mudança no principal desafio enfrentado pelo mercado de trabalho capixaba diante do baixo nível de desemprego.
Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o cenário demonstra que a maior parte das pessoas que procura uma oportunidade consegue ingressar rapidamente no mercado.
“A taxa de desemprego chegou a um nível historicamente baixo e mostra que a maior parte das pessoas que busca uma oportunidade consegue se inserir rapidamente no mercado. Nesse cenário, o desafio passa cada vez mais pela qualidade das ocupações e pela capacidade de atender à demanda das empresas por mão de obra”, avaliou.
Serviços concentram metade dos trabalhadores
A composição do mercado de trabalho capixaba ajuda a explicar a dimensão desse movimento. No segundo trimestre de 2026, o setor de serviços concentrava 50,1% das pessoas ocupadas no Espírito Santo, sendo responsável pela maior parcela da força de trabalho.
O comércio aparecia na segunda posição, com 18,4% dos trabalhadores ocupados. Na sequência estavam a agropecuária, com 14,4%; a indústria, com 9,7%; e a construção civil, que respondia por 7,4%.
A distribuição mostra o peso do setor terciário na economia estadual, com comércio e serviços reunindo, juntos, 68,5% das pessoas ocupadas.
Mercado aquecido muda perfil do desafio
Com o desemprego em patamar historicamente reduzido, o cenário começa a deslocar o foco das políticas de geração de postos de trabalho para questões como qualificação profissional, produtividade, remuneração e preenchimento das vagas disponíveis.
A dificuldade, nesse contexto, deixa de ser apenas criar oportunidades e passa também pela capacidade de aproximar trabalhadores das necessidades apresentadas pelas empresas.
O resultado registrado pelo Espírito Santo no segundo trimestre reforça, assim, uma tendência de forte absorção da mão de obra e coloca o Estado entre os melhores desempenhos do país em um indicador que, há pouco mais de uma década, apresentava uma realidade bastante diferente.
Queda de 17 mil desocupados
Ao final do segundo trimestre, o Espírito Santo contabilizava aproximadamente 2,129 milhões de pessoas na força de trabalho, grupo que corresponde à chamada População Economicamente Ativa (PEA). Dentro desse universo, o número de pessoas desocupadas apresentou uma redução expressiva em apenas três meses.
Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o contingente de desempregados passou de 66 mil para 49 mil pessoas, uma diminuição de cerca de 17 mil indivíduos.
A queda consolidou o novo patamar do mercado de trabalho capixaba e foi determinante para que a taxa de desocupação atingisse os 2,3%, menor índice registrado pelo Estado desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Os números evidenciam um cenário de forte inserção da população no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que ampliam o debate sobre a qualidade das vagas, a qualificação profissional e a capacidade de empresas e trabalhadores se encontrarem em um mercado cada vez mais aquecido.


























