Experiência, conhecimento e longevidade se transformam em negócios, renda e desenvolvimento em diferentes regiões do Estado
O empreendedorismo capixaba está ficando mais experiente — e os números mostram que a idade não representa um limite para quem decide continuar produzindo, inovando e gerando renda. Em 2025, o Espírito Santo contabilizou 88,8 mil empreendedores com 60 anos ou mais, grupo que representa 15,7% do total de donos de negócios no Estado, segundo dados do Sebrae.
O fenômeno integra o que vem sendo chamado de Economia Prateada, expressão utilizada para definir a participação econômica e social da população com 60 anos ou mais. O movimento envolve tanto quem empreende nessa faixa etária quanto o mercado criado para atender às novas demandas de uma população que vive mais e permanece economicamente ativa.
Os dados mostram que o empreendedorismo sênior já ocupa um espaço relevante na economia capixaba. Em levantamento divulgado em 2025, o Sebrae apontava mais de 90 mil empreendedores com 60 anos ou mais no primeiro trimestre daquele ano, evidenciando a dimensão desse público no mercado de trabalho e nos negócios.
Experiência que vira negócio
Por trás dos números estão histórias de pessoas que transformaram décadas de experiência profissional e conhecimento acumulado em novas oportunidades.
Para muitos empreendedores 60+, abrir ou manter um negócio representa uma alternativa para continuar trabalhando após a aposentadoria, complementar a renda ou transformar uma habilidade desenvolvida ao longo da vida em fonte de sustento.
O movimento também acompanha uma transformação demográfica. O Espírito Santo possui cerca de 631,4 mil pessoas com 60 anos ou mais, número que cresceu 73,1% desde 2010, segundo dados citados em estudo sobre a Economia Prateada no Estado.
Esse envelhecimento da população modifica também o perfil do consumidor. Turismo, gastronomia, saúde e bem-estar, educação, tecnologia, serviços especializados e acessibilidade estão entre os segmentos que podem encontrar novas oportunidades diante das necessidades e dos hábitos desse público.
Um mercado que vai além da idade
A chamada geração prateada não deve ser vista apenas como um grupo consumidor. Ela também ocupa espaço como força produtiva, empreendedora e geradora de renda.
No Espírito Santo, o número de pessoas com 60 anos ou mais que trabalham chegou a 181 mil no terceiro trimestre de 2025, segundo dados do IBGE. Do total, aproximadamente 72 mil estavam em ocupações formais e 109 mil em situação de informalidade.
No cenário nacional, o movimento também é expressivo. O Brasil já reúne cerca de 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, número que cresceu quase 59% em uma década, de acordo com dados do Sebrae.
Desafios ainda existem
O crescimento do empreendedorismo sênior não elimina os desafios. A formalização dos negócios, o acesso ao crédito, a proteção previdenciária e o enfrentamento do preconceito relacionado à idade continuam entre as questões que precisam ser consideradas.
Levantamentos do Sebrae mostram que, embora os empreendedores mais velhos tenham avançado em escolaridade e renda, a formalização e a proteção previdenciária ainda apresentam pontos de atenção.
Ao mesmo tempo, a permanência desse público na atividade econômica evidencia uma mudança na própria percepção sobre envelhecimento. A aposentadoria, para uma parcela dos brasileiros, deixou de representar necessariamente o encerramento da vida profissional.
No Espírito Santo, os 88,8 mil empreendedores com 60 anos ou mais ajudam a desenhar esse novo cenário. São milhares de trajetórias profissionais que continuam produzindo, criando negócios, atendendo consumidores e movimentando a economia.
Mais do que uma questão de idade, a Economia Prateada revela uma transformação na relação entre longevidade, trabalho, consumo e empreendedorismo — e coloca a experiência acumulada ao longo de décadas como um dos ativos de uma economia que também está envelhecendo.
























