O fim do império do Dólar é um caminho sem volta

Por Ricardo Mignone

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13/04/2026

Ricardo Mignone

Jornalista

Mais uma vez, o que venho falando desde 2001! A era do Dólar está acabando! E vai levar os EUA e o mercado financeiro juntos!

A China acaba de enviar um sinal que pode pesar no equilíbrio financeiro mundial. Ao liquidar em massa seus títulos do Tesouro americano enquanto reforça suas reservas de ouro, Pequim opera um reposicionamento estratégico com implicações potencialmente profundas. Por trás desses números, desenha-se uma dinâmica que questiona a dominação do Dólar e já capta a atenção dos mercados, incluindo o das criptomoedas.

Enquanto os BRICS fortalecem seu domínio sobre o ouro, a China acaba de liquidar US$623 bilhões em títulos do Tesouro americano. Esse anúncio é acompanhado por um nível historicamente baixo: “a China agora detém apenas US$694 bilhões, seu nível mais baixo desde 2008”.

Em resumo

A China liquidou US$623 bilhões em títulos do Tesouro americano, reduzindo suas reservas ao nível mais baixo desde 2008.

Esse movimento marca um reposicionamento estratégico importante na gestão de suas reservas financeiras.

Paralelamente, Pequim acumula ouro há 17 meses consecutivos, atingindo um recorde de US$343 bilhões.

Essa dupla dinâmica traduz uma reorientação para ativos tangíveis, menos dependentes do sistema financeiro dominado pelo Dólar e a China reduz drasticamente sua exposição aos EUA.

O Brasil vai no mesmo caminho. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o País vendeu US$61,1 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA, o
cerca de 27% de suas posições nesses ativos. Trata-se da maior redução proporcional registrada no período, superando cortes realizados por economias como Índia e China, mesmo considerando que Pequim ainda detenha um volume absoluto muito maior de títulos.

O timing da decisão chama atenção. A venda ocorreu em um momento de juros elevados nos EUA, cenário que tradicionalmente atrai bancos centrais em busca de rendimento e segurança.

Isso reforça a avaliação de que o movimento brasileiro teve motivação estratégica, e não apenas financeira.

Paralelamente, o Brasil passou a reforçar suas reservas em ouro. Em apenas três meses, foram incorporadas 43 toneladas, elevando o total para 172 toneladas. A estratégia segue o mesmo caminho adotado por outros grandes emergentes, como Índia e China, que vêm buscando diversificar suas reservas internacionais.

**Ricardo Mignone é jornalista formado em 1989 pela UFES, com MBA em Mercado Financeiro e Derivativos pela USP/FACAMP