Café, celulose e pimenta-do-reino concentram 95,6% das receitas externas do setor; desempenho reforça a importância do campo para a economia do Espírito Santo
O agronegócio capixaba ampliou sua presença no mercado internacional e movimentou aproximadamente R$ 11,8 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026. No período, produtos produzidos ou processados no Espírito Santo chegaram a 128 países, consolidando o setor como uma das principais forças da economia estadual.
Os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) mostram que as vendas externas do agronegócio somaram US$ 2,4 bilhões nos nove primeiros meses do ano, respondendo por 30,4% de todas as exportações capixabas. O resultado evidencia o peso da produção rural e das cadeias agroindustriais na geração de divisas e na inserção do Estado no comércio global.
O desempenho foi sustentado principalmente por três segmentos: café e derivados, celulose e pimenta-do-reino. Juntos, eles representaram 95,6% do valor exportado pelo agronegócio estadual, demonstrando a força dessas cadeias produtivas, mas também a concentração da pauta comercial em um número reduzido de produtos.
Café lidera as vendas para o exterior
O café permanece como o principal produto do agronegócio capixaba no comércio internacional. Entre janeiro e setembro, o complexo cafeeiro movimentou US$ 1,4 bilhão, equivalente a 58,5% das receitas externas do setor. Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor exportado cresceu 6%.
O resultado reforça a posição estratégica do Espírito Santo na cafeicultura brasileira, especialmente na produção de café conilon, segmento no qual o Estado ocupa a liderança nacional. Além de abastecer o mercado interno, a produção capixaba tem participação relevante no fornecimento de matéria-prima para compradores internacionais.
A celulose aparece na segunda posição, com US$ 590,4 milhões em exportações, correspondentes a 25% do total do agronegócio. Já a pimenta-do-reino alcançou US$ 286,8 milhões, representando 12,1% da receita externa do setor.
A especiaria também apresentou resultado positivo: o valor exportado aumentou 6,5% em relação aos nove primeiros meses do ano passado.
Mais volume de café e pimenta
Além do crescimento financeiro, os números apontam avanço nas quantidades comercializadas de dois produtos importantes da pauta capixaba.
O volume de café exportado aumentou 27,2% na comparação anual, enquanto o de pimenta-do-reino cresceu 7,6%. Os resultados indicam expansão das vendas físicas desses produtos no mercado externo, embora o desempenho financeiro também dependa de fatores como preços internacionais, câmbio e custos logísticos.
Outros itens integram a lista de produtos comercializados pelo Espírito Santo, entre eles mamão, gengibre, chocolates e preparados com cacau. Embora tenham participação menor nas receitas, essas cadeias contribuem para diversificar a oferta e ampliar as possibilidades de acesso a novos compradores.
Estados Unidos estão entre os principais compradores
A presença do agronegócio capixaba em 128 países revela o alcance internacional da produção estadual. Entre os principais destinos estão Estados Unidos, Turquia, Colômbia, México e Bélgica.
Em conjunto, os cinco mercados responderam por aproximadamente 44% das divisas geradas pelas exportações do setor. A parcela restante foi distribuída entre outros compradores, um fator que pode reduzir a dependência de mercados específicos diante de mudanças econômicas, comerciais ou geopolíticas.

Para o secretário estadual da Agricultura, Enio Bergoli (foto), o desempenho do café e da pimenta-do-reino demonstra a competitividade de cadeias nas quais o Espírito Santo possui posição de destaque nacional. Segundo ele, essas atividades são importantes para a geração de renda, empregos e divisas, além de levarem a produção capixaba a diferentes mercados internacionais.
Desafio é ampliar mercados e diversificar a produção
O resultado de quase R$ 12 bilhões em exportações nos nove primeiros meses de 2026 reforça a relevância do agronegócio para a economia capixaba. O setor combina a força de produtos tradicionais, como café e pimenta-do-reino, com a participação de segmentos agroindustriais e de outras culturas voltadas ao mercado externo.
O alcance de 128 países representa uma oportunidade para ampliar negócios, atrair investimentos e fortalecer a renda no campo. Ao mesmo tempo, a concentração de 95,6% das receitas em três grandes grupos de produtos evidencia a importância de estimular outras cadeias produtivas e agregar valor à produção estadual.
A manutenção desse desempenho dependerá de fatores como competitividade, qualidade, produtividade, infraestrutura de transporte e capacidade de enfrentar oscilações nos mercados internacionais. Para o Espírito Santo, o desafio será transformar a presença global já conquistada em oportunidades duradouras para produtores, cooperativas, trabalhadores e empresas ligadas ao agronegócio.























