Agostinho Ferreira da Silva participou da Segunda Guerra Mundial e esteve na tomada de Monte Castelo, na Itália; hoje, é um dos poucos veteranos da FEB ainda vivos no Brasil
A história da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial ainda tem um representante vivo no Espírito Santo. Aos 103 anos, o guaçuiense Agostinho Ferreira da Silva, último veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) residente no Estado, voltou a ser homenageado nesta semana, em uma cerimônia que reuniu militares, autoridades, familiares e representantes de entidades de veteranos.
A homenagem aconteceu na quarta-feira (23), em Guaçuí, no Caparaó, durante solenidade realizada pelo Tiro de Guerra 01-013. Agostinho recebeu o Título de Cidadão Guaçuiense da Câmara Municipal e duas importantes condecorações: a Medalha Soldado da Paz, concedida pela Organização das Nações Unidas (ONU), e a reposição da Medalha de Guerra Sangue do Brasil.
A cerimônia também marcou um momento simbólico para preservar a memória de uma geração de brasileiros que deixou o país para lutar em território europeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Um dos últimos pracinhas do Brasil
Agostinho integrou a 1ª Companhia do 1º Batalhão do 1º Regimento de Infantaria da FEB, força criada pelo Brasil para atuar ao lado dos Aliados na campanha da Itália.
O ex-combatente participou de operações do Exército Brasileiro durante o conflito e esteve na tomada de Monte Castelo, uma das batalhas mais conhecidas da participação brasileira na guerra.
Em 17 de abril de 1945, durante uma ação na região de Castel d’Aiano, na Itália, Agostinho foi atingido por estilhaços de uma granada. O ferimento está diretamente relacionado à concessão da Medalha de Guerra “Sangue do Brasil”, cuja condecoração foi reposta durante a solenidade realizada em Guaçuí.
O dado que torna sua história ainda mais singular é o número cada vez menor de sobreviventes. Segundo informações do Censo Permanente da Força Expedicionária Brasileira, atualizado em 6 de setembro de 2026, apenas 19 veteranos da FEB permanecem vivos em todo o Brasil.
Uma vida que virou memória
Nascido e criado em Guaçuí, Agostinho passou a representar não apenas a história de sua cidade, mas também uma parte viva da memória militar brasileira.
Em maio deste ano, quando completou 103 anos, ele já havia recebido outra homenagem especial. Uma banda de música do 38º Batalhão de Infantaria esteve em frente à sua residência para prestar tributo ao veterano. A cerimônia contou ainda com representantes capixabas da FEB, militares, autoridades e familiares.
Durante a solenidade, o chefe de instrução do Tiro de Guerra, subtenente Jandovi da Silva Fernandes, destacou a trajetória do ex-combatente e a importância de preservar a memória daqueles que participaram do conflito.
Agora, aos 103 anos, Agostinho permanece como uma espécie de ponte viva entre o Espírito Santo de hoje e um dos capítulos mais importantes da história militar brasileira.
Sua história atravessa gerações: de um jovem guaçuiense que foi enviado para a Europa em meio à guerra a um dos últimos brasileiros ainda vivos que podem testemunhar, em primeira pessoa, a experiência dos pracinhas da FEB.
Enquanto o tempo reduz rapidamente o número de veteranos da Segunda Guerra Mundial, as homenagens a Agostinho ganham também um significado de preservação da memória. É a história sendo reconhecida enquanto ainda existe quem possa contá-la.

























