Nova linha da Vallourec será responsável pela aplicação de tecnologia de isolamento submarino licenciada pela ExxonMobil e já nasce com contratos para projetos na Guiana
O Espírito Santo acaba de ganhar um novo capítulo na indústria internacional de petróleo e gás. A Vallourec iniciou, na Serra, a implantação de uma nova linha de produção destinada à aplicação de uma tecnologia avançada de isolamento térmico em tubos utilizados em operações offshore.
O projeto reúne a multinacional francesa e a gigante americana ExxonMobil e coloca a unidade capixaba em uma posição de destaque dentro da cadeia global de fornecimento para exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas.
A nova estrutura está sendo instalada na unidade da Vallourec Coating Solutions, no Polo Industrial Piracema, na Serra, e utilizará os sistemas de resina Proxxima, da ExxonMobil, associados à tecnologia de isolamento submarino GDLX. A Vallourec é a primeira empresa licenciada pela ExxonMobil para comercializar a tecnologia.
Tecnologia de alta complexidade
O diferencial está na capacidade de manter por mais tempo a temperatura do petróleo dentro das tubulações instaladas no fundo do oceano.
Em operações de águas profundas, uma interrupção da produção pode provocar o resfriamento do petróleo e aumentar o risco de problemas no escoamento. O sistema Proxxima com GDLX melhora o desempenho térmico do isolamento e amplia o chamado tempo de resfriamento, dando às equipes de operação uma janela maior para restabelecer o fluxo.
Outro ganho está no próprio processo industrial. O sistema utiliza uma estrutura moldada de camada única que pode ser aplicada diretamente sobre o aço, permitindo acelerar a execução do isolamento em comparação com sistemas convencionais.
E é justamente nessa área de elevada exigência tecnológica que Serra passa a ocupar uma posição singular.
Segundo a Vallourec, a unidade capixaba será a primeira planta industrial do mundo qualificada para produzir e aplicar comercialmente, em larga escala, essa tecnologia.
Linha já nasce com encomenda internacional
O investimento industrial não chega ao Espírito Santo sem mercado. Em maio, a Vallourec anunciou dois contratos com a ExxonMobil Guyana para fornecer tubos destinados aos projetos Hammerhead e Longtail, localizados no Bloco Stabroek, na Guiana.
Os pedidos somam mais de 145 quilômetros de tubos, equivalentes a aproximadamente 40 mil toneladas. Desse total, cerca de 90 quilômetros, ou 22 mil toneladas, receberão o sistema de isolamento com Proxxima e GDLX.
O projeto Longtail será um dos primeiros grandes empreendimentos a utilizar a nova solução tecnológica, transformando a fábrica da Serra em parte de uma cadeia de fornecimento que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
A própria Vallourec afirma que as capacidades proporcionadas pela tecnologia GDLX foram determinantes para a conquista dos contratos Hammerhead e Longtail, considerados pela empresa os maiores pedidos de line pipe já obtidos pelo grupo.
Espírito Santo pode ampliar participação no offshore
Embora a primeira grande encomenda esteja relacionada à produção de petróleo na Guiana, a estratégia não se limita ao mercado internacional.
A nova capacidade industrial abre espaço para que a unidade capixaba atenda projetos brasileiros e outros mercados externos. A localização da fábrica, próxima ao Porto de Vitória, também é apontada pela Vallourec como uma vantagem logística para atender operações domésticas e de exportação.
O movimento reforça a posição do Espírito Santo dentro da cadeia de petróleo e gás e acrescenta uma etapa de maior valor agregado à atuação industrial do Estado.
Em vez de apenas produzir ou movimentar equipamentos destinados ao setor offshore, o Espírito Santo passa a concentrar uma tecnologia especializada para atender alguns dos projetos mais complexos da indústria mundial de petróleo.
Empregos e qualificação profissional
A expansão também deverá produzir efeitos sobre o mercado de trabalho. A Vallourec prevê o desenvolvimento de competências especializadas na operação capixaba, com treinamento e qualificação de profissionais.
A companhia também trabalha com a perspectiva de ampliar a capacidade produtiva da unidade e preparar trabalhadores para atuar na nova tecnologia, incluindo iniciativas de formação e intercâmbio técnico.
O número definitivo de novos postos de trabalho e o valor específico destinado à implantação da linha, porém, não foram divulgados oficialmente pela Vallourec. Por isso, não é possível atribuir neste momento uma cifra ao investimento ou confirmar números finais de contratações.
Serra ganha projeção internacional
O início das obras representa mais do que a ampliação de uma fábrica. Trata-se da transferência e industrialização, no Espírito Santo, de uma tecnologia desenvolvida para enfrentar um dos grandes desafios da exploração de petróleo em águas profundas: manter o escoamento seguro e eficiente em condições extremas.
Para a Vallourec, o projeto também reforça a importância estratégica do Brasil dentro de sua estrutura global. A empresa destaca que a nova capacidade em Serra deverá apoiar projetos offshore cada vez mais complexos no Brasil e em mercados internacionais.
A previsão é de que a nova estrutura esteja operacional no primeiro semestre de 2028.
Se o cronograma for cumprido, Serra passará a produzir uma solução tecnológica destinada a alguns dos ambientes mais desafiadores da indústria de petróleo, conectando o Espírito Santo diretamente a projetos internacionais de grande porte.
Para o Estado, o movimento representa uma oportunidade de subir mais um degrau na cadeia de petróleo e gás: da produção e logística para a tecnologia, industrialização e exportação de soluções de alto valor agregado.


























