Com 220 participantes e 26 projetos práticos concluídos em cinco municípios capixabas, o Projeto Lideranças Jovens consolida ações que vão do manejo de manguezais ao uso de biogás.
Por Redação
As comunidades afetadas ao longo da Bacia do Rio Doce no Espírito Santo ganharam uma nova força motriz de transformação. O Projeto Lideranças Jovens concluiu sua etapa no estado deixando um saldo de 220 capacitados e 26 iniciativas socioambientais tiradas do papel nos municípios de Aracruz, Linhares, Colatina, Marilândia e Baixo Guandu.
Financiada pela Samarco com investimento de R$ 2,8 milhões no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce, a iniciativa distribuiu recursos entre bolsas de apoio aos estudantes e verbas diretas para a execução de soluções criadas pelos próprios participantes.
Capacitação e diversidade no centro da formação
Ao todo, o processo seletivo recebeu 818 inscritos — dos quais 621 eram jovens capixabas. A seleção priorizou a diversidade étnico-racial, a equidade de gênero e a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social registradas no CadÚnico.
Durante a formação, os jovens passaram por 94 horas de capacitação e 84 horas de mentoria especializada. As atividades focaram em cidadania, educação ambiental e diagnóstico territorial para converter dilemas locais em projetos sustentáveis nas áreas de restauração ecológica, gestão de resíduos e inovação energética.
O projeto em números:
- Investimento total: R$ 2,8 milhões (integrante dos mais de R$ 198 milhões destinados a projetos de reparação e reconstrução produtiva na região).
- Alcance: 220 jovens formados em 5 municípios capixabas.
- Iniciativas: 26 projetos socioambientais executados nas comunidades.
- Carga horária: 94h de aulas + 84h de mentorias técnicas.
Do manguezal ao biogás: as soluções que ficaram para os territórios
A aplicação prática dos conceitos estudados deu origem a projetos que já geram impacto direto no dia a dia da população capixaba:
- Operação Manguezal (Aracruz): Focada no ecossistema do Piraquê-Mirim, a ação construiu um viveiro de mudas nativas, promoveu mutirões de plantio e organizou oficinas comunitárias sobre a importância biológica da conservação do mangue.
- Escola Lixo Zero (Linhares): Em Regência, estudantes da rede pública participaram de mutirões de limpeza na orla, oficinas de criação de artefatos e instrumentos com recicláveis, além de vivências imersivas nas bases dos projetos TAMAR e Baleia Jubarte.
- Biodigestor em Ação (Colatina): No IFES Campus Itapina, um biodigestor foi acoplado ao setor de suinocultura para transformar dejetos de animais em biogás. A estrutura atua como modelo pedagógico de energia limpa e gestão de impactos na agricultura.
Legado de longo prazo
Para a Samarco, a autonomia conferida aos participantes é a grande conquista do programa. “O projeto permitiu que os próprios jovens identificassem desafios de seus territórios e desenvolvessem soluções práticas para questões ambientais, educacionais e produtivas. Os projetos deixam um legado que permanece nas comunidades mesmo após o encerramento do ciclo de formação”, destacou a Gerente-Geral de Reparação e Gestão Integrada da empresa, Fernanda Bartoli.
O fomento ao protagonismo jovem integra as ações contínuas de reparação socioeconômica na Bacia do Rio Doce, visando reestruturar as economias regionais e fortalecer o tecido social dos territórios atingidos.


























