Anvisa aprova medicamento que pode retardar avanço do Alzheimer em fase inicial

Por

Redação O JORNAL

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Threads

Lecanemabe atua na redução das placas de beta-amiloide no cérebro e pode desacelerar o declínio cognitivo; tratamento exige avaliação e acompanhamento médico rigorosos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil um novo medicamento destinado ao tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial. O lecanemabe, comercializado com o nome Leqembi, representa uma nova geração de terapias capazes de atuar sobre um dos mecanismos associados à progressão da doença.

Diferentemente dos medicamentos tradicionais, que buscam principalmente controlar sintomas, o lecanemabe atua sobre as placas de beta-amiloide, estruturas que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer. A proposta do tratamento é reduzir esse acúmulo e, com isso, retardar o ritmo de deterioração cognitiva, embora o medicamento não seja capaz de curar a doença ou interromper completamente sua evolução.

Indicado para os estágios iniciais

Segundo a Anvisa, o medicamento é indicado para adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve decorrentes do Alzheimer, desde que exista confirmação da presença da patologia amiloide. A indicação também estabelece critérios relacionados ao gene ApoE ε4, uma vez que determinados perfis genéticos apresentam maior risco de complicações durante o tratamento.

A aprovação brasileira foi baseada principalmente nos resultados de um estudo clínico de fase 3 que envolveu 1.795 pessoas com Alzheimer em estágio inicial. Após 18 meses, os pacientes que receberam lecanemabe apresentaram uma progressão menor da doença em comparação com aqueles que receberam placebo.

Tratamento é feito por infusão

O lecanemabe não é um comprimido. De acordo com a Anvisa, o medicamento é administrado por infusão intravenosa, durante aproximadamente uma hora, uma vez a cada duas semanas.

Por se tratar de uma terapia que pode provocar efeitos adversos importantes, o tratamento exige seleção criteriosa dos pacientes e acompanhamento médico. Entre os riscos estão as chamadas anormalidades relacionadas ao amiloide (ARIA), que podem provocar inchaço ou pequenos sangramentos no cérebro.

Segundo medicamento dessa nova geração aprovado no Brasil

O lecanemabe não é o primeiro medicamento antiamiloide aprovado pela Anvisa. Em abril de 2025, a agência havia autorizado o donanemabe (Kisunla), também destinado a pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados ao Alzheimer.

Os dois medicamentos têm uma proposta semelhante: atuar sobre o depósito de beta-amiloide e modificar, ainda que de forma limitada, o ritmo de progressão da doença.

Tratamento já chegou ao Brasil

O registro do lecanemabe foi concedido pela Anvisa em dezembro de 2025 e a comercialização brasileira começou em 2026. Informações divulgadas em junho apontaram o início da disponibilidade comercial do Leqembi no país.

O custo, porém, é um dos principais obstáculos para ampliar o acesso ao tratamento. Estimativas divulgadas anteriormente apontaram valores que podem ultrapassar R$ 250 mil por ano, dependendo do esquema de tratamento e dos custos associados à aplicação e ao acompanhamento médico.

Um avanço, mas ainda longe de uma cura

A aprovação do lecanemabe representa uma mudança importante no tratamento do Alzheimer porque, pela primeira vez, estão disponíveis no país medicamentos capazes de interferir diretamente em um dos processos biológicos associados à doença, e não apenas aliviar seus sintomas.

Especialistas, entretanto, ressaltam que o benefício é de desaceleração, e não de reversão da doença. O diagnóstico precoce passa a ter ainda mais importância, já que essas terapias foram desenvolvidas especificamente para pacientes que ainda estão nas fases iniciais do Alzheimer.

Mais Notícias

MEDICAMENTOS

Mounjaro é aprovado pela Anvisa para tratamento para perda de peso

MEDICAMENTOS

Cachoeiro supera índice de 95% de abastecimento de medicamentos

MEDICAMENTOS

Ministério da Saúde divulga lista com 22 novos medicamentos disponíveis pelo SUS

MEDICAMENTOS

Anvisa aprova primeiro medicamento injetável contra o HIV

MEDICAMENTOS

Anvisa aprova primeiro medicamento injetável contra o HIV

MEDICAMENTOS

Anvisa autoriza venda de medicamento contra Covid em farmácias

MEDICAMENTOS

Anvisa autoriza venda de medicamento contra Covid em farmácias

MEDICAMENTOS

Medicamento para tratar atrofia espinhal muscular é incluído ao SUS

MEDICAMENTOS

Medicamento para tratar atrofia espinhal muscular é incluído ao SUS

MEDICAMENTOS

Farmácia Cidadã Estadual de Cachoeiro entrega medicamento de R$ 1,2 milhão por via padronizada

MEDICAMENTOS

Farmácia Cidadã Estadual de Cachoeiro entrega medicamento de R$ 1,2 milhão por via padronizada

MEDICAMENTOS

Farmacêuticas faturam R$ 1 bilhão com kit Covid na pandemia

MEDICAMENTOS

Farmacêuticas faturam R$ 1 bilhão com kit Covid na pandemia