Rafael Monteiro apresentou dados sobre crimes contra crianças e como identificar sinais de violência / Foto: José Caldas da Costa
Mais de 150 pessoas participaram, na manhã desta quarta-feira (27), em Itapemirim, de workshop do programa Guardiões da Infância, desenvolvido pela Assembleia Legislativa (Ales). O psicólogo forense Rafael Monteiro orientou o público sobre como identificar sinais de violência e a importância da escuta ativa de crianças que sofrem abuso.
Itapemirim, no sul do estado, foi o quarto município a receber o programa Guardiões da Infância, que já alcançou 500 pessoas desde o primeiro workshop, no dia 18 de maio, em São Domingos do Norte. Os outros municípios contemplados foram Pedro Canário e Jaguaré. O próximo workshop está agendado para o dia 3 de junho, em Conceição do Castelo, nas montanhas capixabas.
A secretária da Casa dos Municípios, Joelma Costalonga, que coordena o programa, explicou que os locais de palestras e workshops do especialista são escolhidos por adesão dos municípios. A intenção é treinar pelo menos mil pessoas neste ano.
O deputado Marcelo Santos (União), presidente da Ales e idealizador do projeto, não pôde comparecer pessoalmente ao evento em Itapemirim, mas fez uma saudação por chamada de vídeo com os participantes realçando o caráter preventivo do Guardiões da Infância.
Proteção
“Queremos formar duplicadores”, disse Rafael Monteiro, autor do livro “Órfãos de Pais Vivos”. Servidor de carreira do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o psicólogo está cedido ao Poder Legislativo com o propósito de executar o programa. “Que essas pessoas saiam daqui com um novo olhar e transmitam isso para as pessoas ao seu redor e, assim, aumentemos a rede de proteção à nossa infância”.
No workshop, com participação ativa de professores, membros da comunidade, agentes de saúde e conselheiros tutelares do município, Rafael Monteiro apresentou dados sobre violência contra crianças. Na palestra, o psicólogo disse que 14 crianças morrem por dia no Brasil de causas violentas e que 80% dos abusos acontecem dentro da própria casa.
O especialista ainda falou sobre como observar os sinais de violações, geralmente manifestados por meio de mudanças abruptas de comportamento. “O abusador não se apresenta como alguém ruim. Não é um monstro, ele somente se torna isso depois que a gente descobre. Em Jaguaré, participou um pastor que era amigo daquele outro pastor de Linhares, que o filho e o enteado morreram num incêndio, e esse participante disse que ninguém jamais poderia imaginar o comportamento daquele abusador”, disse Rafael.
O caso a que ele se refere é do, hoje, ex-pastor Georgeval Alves Gonçalves, condenado a 146 anos e quatro meses de prisão por estuprar e matar filho e enteado em 2018, em Linhares, quando sua mulher estava ausente.
Alertou também para a violência por meio digital. “É preciso ficar atento, porque toda mudança abrupta de comportamento comunica algo. E ninguém precisa de autorização para denunciar um sinal de abuso”, disse, remetendo, principalmente, ao ambiente escolar.
A primeira-dama do município, Bianka Magri Bechara, secretária licenciada de Assistência Social de Itapemirim, acredita que o workshop ministrado por Rafael Monteiro pode trazer um “impacto muito positivo sobre a conduta das pessoas que participaram, que estão mais aptas a perceberem os sinais emitidos pelas crianças e contribuir para maior proteção de nossa infância”.
Um dos conselheiros tutelares presentes no workshop, Carlos Francisco Garabele também manifestou confiança numa maior participação comunitária na observação das crianças do município, podendo contribuir com o trabalho do Conselho.


