Uruguai condena sete militares aposentados por crimes na ditadura

Por

Uruguai condena sete militares aposentados por crimes na ditadura

A Justiça uruguaia condenou a prisão sete militares aposentados por crimes cometidos durante a ditadura no país (1973-1985) -o tempo da pena a ser cumprida ainda não foi determinado.

Os ex-oficiais respondiam a processo, aberto em 2018, por privação de liberdade e tortura realizados contra ativistas de esquerda presos entre 1975 e 1977 no centro clandestino de detenção conhecido como Inferno Grande. A maioria das vítimas era da agrupação guerrilheira Tupamaros, que resistia à ditadura.

Os militares condenados são José Nino Gavazzo, Mario Julio Aguerrondo, Rudyard Raúl Scioscia Soba, Mario Carlos Frachelle Franco, Mario Manuel Cola Silveira, Ernesto Ramas e Jorge Silveira Quesada.

O Procurador Especializado em Crimes Contra a Humanidade, Ricardo Perciballe, havia solicitado a instauração de processo com prisão de oito repressores por esses crimes. Um deles morreu durante o processo judicial.

Gavazzo, Silveira e Rama já haviam sido condenados por outros crimes contra a humanidade cometidos durante o governo. Os outros irão para a prisão pela primeira vez.

A denúncia foi apresentada em 2011, quando o ex-guerrilheiro e então presidente José "Pepe" Mujica retirou a proteção concedida por uma lei de anistia aprovada na década de 1980, conhecida como Lei da Caducidade, para investigações de violações de direitos humanos.

A Promotoria Especializada em Crimes Contra a Humanidade ainda tem 13 pedidos pendentes de ação penal contra cerca de 50 pessoas implicadas em crimes relacionados ao terrorismo de Estado, segundo o jornal local La Diaria.

A condenação ocorre num momento importante, uma vez que voltou a estar na pauta de discussões do atual governo a reinstalação da Lei de Caducidade, aprovada em 1986, declarada inconstitucional em 2009 e anulada em 2011.

Agora, na aliança que apoia o atual presidente de centro-direita, Luis Lacalle Pou, há um integrante de extrema direita -o ex-general Guido Manini Ríos, do partido Cabildo Abierto. É dele a proposta de voltar a implementar uma lei de anistia.

Mujica fez parte dos Tupamaros durante a ditadura, quando ficou detido por 12 anos, junto com outros dois guerrilheiros. A história foi contada no livro "Memórias do Calabouço" e no filme "Uma Noite de 12 Anos", dirigido por Álvaro Brechner e lançado em 2018.

Confira mais Notícias

Justiça

Mundo

Tribunal italiano encerra audiência sobre extradição de Zambelli

Justiça

Minas Gerais

Após vazamento, decisão judicial paralisa atividades da Vale em complexo de MG

Justiça

Anchieta

Medida judicial impede que Câmara de Anchieta faça novas nomeações em cargos comissionados

Justiça

Mundo

Itália julga extradição de Carla Zambelli, nesta terça-feira

Justiça

Brasil

STF retoma julgamento do marco temporal na segunda-feira

Justiça

Presidente Kennedy

STF rejeita tentativa de reverter posse de Dorlei em Presidente Kennedy

Justiça

Brasília/DF

Preso por golpe de estado, general Heleno diz sofrer de Alzheimer desde 2018

Justiça

Brasília/DF

Por unanimidade, 1ª Turma do STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro