Cinco levantamentos são do Instituto Veritá e um do Instituto Perfil; decisão mais recente impede divulgação de nova pesquisa até apresentação de documentos sobre o custeio
A Justiça Eleitoral já determinou, em 2026, a suspensão da divulgação de seis pesquisas eleitorais registradas no Espírito Santo. Cinco levantamentos são do Instituto Veritá e um do Instituto Perfil. A decisão mais recente foi tomada nesta quinta-feira (1º) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) e envolve a pesquisa ES-04561/2026, do Veritá, cuja divulgação estava prevista para começar nesta sexta-feira (2).
A liminar determinou que o levantamento não seja divulgado por qualquer meio e estabeleceu prazo de dois dias para que o instituto apresente documentos relacionados ao custeio declarado como próprio. Entre os documentos solicitados estão comprovantes de pagamentos, registros contábeis, extratos bancários e contratos ou orçamentos relacionados à realização da pesquisa.
A decisão tem caráter provisório e poderá ser revista depois que os documentos forem apresentados e analisados pela Justiça Eleitoral.
Questionamento sobre financiamento
A representação que resultou na suspensão questiona a origem dos recursos utilizados para a realização do levantamento e aponta divergências relacionadas ao volume de pesquisas registradas pelo instituto como autofinanciadas e as informações financeiras apresentadas pela empresa.
Em sua manifestação, o Veritá contestou os argumentos apresentados no processo e sustentou que o valor declarado para a pesquisa corresponde ao preço de mercado de um levantamento de abrangência estadual.
O mérito da ação ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.
Outras cinco pesquisas
A decisão mais recente se soma a outras suspensões determinadas pelo TRE-ES ao longo do ano.
Entre os levantamentos atingidos estão as pesquisas ES-01361/2026, ES-00353/2026 e ES-05433/2026, do Instituto Veritá, e a ES-04513/2026, do Instituto Perfil.
Nas decisões referentes aos levantamentos do Veritá, foram apontadas inconsistências nas informações sobre municípios e bairros indicados como locais de realização das entrevistas. No caso do Instituto Perfil, o tribunal considerou insuficiente o detalhamento territorial apresentado para permitir a fiscalização da distribuição da amostra.
Também integra o conjunto a pesquisa ES-09049/2026, do Veritá. O levantamento teve a divulgação suspensa pelo TRE-ES em abril, após questionamentos relacionados ao questionário aplicado e aos cenários apresentados aos entrevistados. Em junho, o tribunal declarou a pesquisa irregular e manteve a proibição de divulgação.
Decisões têm fundamentos diferentes
As seis suspensões não tiveram como base uma única irregularidade. Os processos envolvem fundamentos distintos, relacionados a questões como registro, informações territoriais sobre a coleta, metodologia e financiamento declarado.
Também é importante destacar que as decisões liminares não significam, por si só, que a Justiça Eleitoral tenha concluído pela existência de manipulação nos levantamentos. Nos casos ainda pendentes, o mérito das ações deverá ser analisado posteriormente.
O tema ganhou ainda mais relevância às vésperas do primeiro turno. Nesta quinta-feira (1º), o próprio TRE-ES divulgou informações sobre o aprimoramento do sistema PesqEle, utilizado para o registro e consulta de pesquisas eleitorais. Segundo o tribunal, a atualização amplia o detalhamento das informações metodológicas e dos dados relativos à execução dos trabalhos de campo, sem criar novas obrigações legais.
O sistema permite ao eleitor, jornalistas, partidos e candidatos consultar informações como metodologia, período de realização, tamanho da amostra, margem de erro, responsável técnico e questionário utilizado.
Com o primeiro turno marcado para este domingo (4), as decisões colocam sob atenção da Justiça Eleitoral a regularidade dos levantamentos de intenção de voto registrados no Espírito Santo.





















