Holandesa afirma ter sido submetida a sessões prolongadas e dolorosas; polícia não abriu investigação por falta de provas de coação – Foto: Reprodução Redes Sociais
Uma mulher de 52 anos afirma ter sido obrigada por um ex-companheiro a tatuar o nome dele cerca de 250 vezes pelo rosto e pelo corpo, em um caso que tem gerado repercussão nos últimos dias na Holanda e reacendido discussões sobre violência psicológica e consentimento.
Identificada como Joke, ela relata que aproximadamente 90% de seu corpo foi coberto por tinta preta durante o relacionamento, entre 2020 e 2021. Segundo a mulher, o então parceiro utilizava uma máquina de tatuagem de baixo custo, adquirida em um site de varejo chinês, e a submetia a sessões prolongadas, que incluíam inscrições com o nome dele, iniciais e frases de teor possessivo, como “propriedade de”.
Acusações e impasse legal
De acordo com relatos da imprensa local, o ex-companheiro nega as acusações e sustenta que todas as tatuagens foram feitas com consentimento. A divergência tem sido central para o desfecho do caso: após procurar a polícia, Joke afirma que não houve avanço nas investigações nem formalização de acusações.
Segundo Andy Han, fundador da organização Stichting Spijt van Tattoo, que presta apoio a pessoas arrependidas de tatuagens, a dificuldade em comprovar juridicamente a ausência de consentimento teria impedido a abertura de um processo. Ele afirma que, quando a mulher buscou ajuda, enfrentava dependência de álcool e drogas, quadro que associa aos supostos abusos.
Han também questiona a versão apresentada pelo ex-companheiro. “Qualquer pessoa sensata sabe que ninguém faria tatuagens voluntariamente perto dos olhos, no nariz ou na orelha”, disse. Ainda assim, ressalta que, do ponto de vista legal, a alegação de consentimento dificultou a responsabilização.
Confira a transformação:
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Tratamento e reconstrução
Nos últimos anos, Joke tem passado por um extenso processo de remoção das tatuagens, considerado doloroso e de alto custo. Uma campanha de arrecadação organizada pela fundação ultrapassou a meta inicial e já arrecadou mais de 26 mil libras, valor destinado ao tratamento, estimado em mais de 25 mil libras.
A mulher afirma que já apresenta uma transformação significativa, com o rosto livre das tatuagens, e espera concluir o processo até o fim do ano. Segundo ela, eventuais recursos excedentes serão destinados a ajudar outras mulheres em situação semelhante.
“Alguém que foi profundamente ferido pode se reerguer. Se eu consigo, qualquer outra pessoa também consegue”, afirmou.


