Candidato a deputado estadual pelo AGIR defende planejamento e investimentos em captação, tratamento e distribuição diante do avanço industrial da região
A água começa a ganhar espaço como uma das pautas estratégicas para o futuro do Sul do Espírito Santo. Em suas andanças pela região na última semana, o candidato a deputado estadual Marcão Vivácqua (AGIR) chamou a atenção para um problema que, segundo ele, precisa ser enfrentado antes que a nova onda de investimentos transforme definitivamente o perfil econômico dos municípios sul-capixabas.
Para Marcão, não basta comemorar a chegada de grandes empreendimentos. É preciso preparar a infraestrutura necessária para sustentar o crescimento populacional, industrial e econômico que se aproxima — e, nesse cenário, garantir água em quantidade e qualidade será uma questão fundamental.
A preocupação do candidato envolve toda a cadeia de abastecimento: captação, tratamento, reservação e distribuição de água. Na avaliação de Marcão, o poder público precisa se antecipar à demanda e planejar investimentos estruturantes para evitar que o crescimento econômico seja acompanhado por problemas no fornecimento de água para a população e para as futuras atividades industriais.
“O desenvolvimento precisa chegar acompanhado de infraestrutura”

Ao tratar do tema durante sua agenda regional, Marcão destacou que o Sul capixaba vive um momento de transformação e que o planejamento público não pode ficar atrás desse processo.
Entre os principais exemplos está o Porto Central, em Presidente Kennedy, empreendimento que já está em fase de implantação e que deverá funcionar como um importante vetor de atração de novos negócios para a região. O complexo prevê atividades portuárias e industriais diversificadas, incluindo setores como petróleo e gás, mineração, agronegócio, contêineres, energia e combustíveis verdes.
O empreendimento também avança em sua estrutura de implantação. Em abril deste ano, o Porto Central informou a conclusão da adutora de abastecimento de água do empreendimento, enquanto as obras seguem avançando em diferentes frentes.
É justamente diante dessa nova realidade que Marcão pretende transformar a questão hídrica em uma de suas principais bandeiras caso seja eleito para a Assembleia Legislativa.
Uma nova fronteira industrial
A preocupação ganha dimensão ainda maior diante do volume de investimentos previstos para a região. Em março, o Fundo da Marinha Mercante aprovou R$ 2,18 bilhões para o Porto Central, recurso destinado à implantação da primeira fase do complexo. A expectativa divulgada é de que as primeiras operações de transbordo de petróleo ocorram em 2028.
Além disso, o empreendimento já iniciou contratações para o avanço das obras. Em junho, foi divulgado que o Porto Central iniciou um processo para contratar mais de mil profissionais, evidenciando que o impacto econômico do projeto já começou a se materializar.
Para Marcão, esse movimento deve ser encarado não apenas como uma oportunidade econômica, mas também como um alerta para a necessidade de preparar os municípios.
A chegada de trabalhadores, empresas, fornecedores e novos empreendimentos tende a aumentar a pressão sobre os sistemas de abastecimento. E, na visão do candidato, água não pode ser tratada como uma consequência do crescimento: precisa estar entre as primeiras prioridades do planejamento regional.
Do Porto Central aos municípios do Sul
A discussão ultrapassa os limites de Presidente Kennedy. O impacto dos grandes investimentos tende a alcançar municípios vizinhos, criando uma nova dinâmica econômica no Sul do Estado.
Estudos do Instituto Jones dos Santos Neves já identificam o Porto Central como um dos investimentos estratégicos da região e apontam sua conexão com outros projetos de infraestrutura, como a futura EF-118. O próprio Porto Central destaca a importância da integração ferroviária para ampliar sua conexão com os polos produtivos do Sudeste.
É nesse contexto que Marcão pretende levar a questão da água para o debate estadual.
A proposta, segundo o candidato, é defender uma atuação mais forte do Governo do Estado na ampliação e modernização dos sistemas de abastecimento, com planejamento de longo prazo e investimentos capazes de atender simultaneamente as necessidades humanas e as demandas do novo ciclo industrial.
A preocupação também encontra respaldo no cenário nacional. O Governo Federal considera os investimentos em abastecimento de água fundamentais para a saúde e a qualidade de vida e prevê recursos do Novo PAC para ampliar a infraestrutura de água potável nos municípios brasileiros.
“Preparar o Sul para o que está chegando”
A pauta da água se soma ao discurso que Marcão vem construindo durante a campanha: o de que o Sul do Espírito Santo precisa deixar de ser apenas uma região com potencial e passar a ocupar posição estratégica nas decisões estaduais.
Em artigo publicado em julho, o candidato já havia defendido que a chegada do Porto Central, a expansão da infraestrutura logística e energética e outros projetos podem transformar o Sul em um importante corredor industrial e logístico.
Agora, a questão hídrica entra nesse projeto como um dos pilares dessa transformação.
A mensagem política é direta: se a região está prestes a viver um novo ciclo de desenvolvimento, é preciso preparar hoje a infraestrutura que será necessária amanhã.
Para Marcão Vivácqua, garantir água para a população e para as empresas que chegarão ao Sul capixaba não é apenas uma questão de saneamento. É uma questão de planejamento, competitividade, qualidade de vida e futuro regional.
E, em uma região que começa a atrair investimentos bilionários, o desafio será fazer com que o crescimento econômico caminhe lado a lado com a capacidade dos municípios de oferecer os serviços básicos necessários para sustentar esse novo momento.


























