Marataízes amanhece sob “fog” e Praia de Cidade Nova desaparece em meio à névoa

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Redação O JORNAL

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Fenômeno chamou atenção no último domingo de setembro e criou uma paisagem que lembrou as tradicionais imagens de Londres

Quem passou pela região de Cidade Nova, em Marataízes, na manhã deste domingo (27), encontrou uma paisagem pouco comum e digna de filme. Uma espessa camada de névoa tomou conta da faixa litorânea e chegou a encobrir parcialmente a Praia de Cidade Nova, criando um cenário que rapidamente foi associado ao famoso “fog” de Londres.

Apesar da semelhança visual, o fenômeno observado no litoral sul capixaba tem uma explicação meteorológica diferente do histórico nevoeiro londrino. Em Marataízes, a combinação entre umidade elevada, proximidade do oceano, resfriamento do ar e pouca mistura atmosférica favorece a condensação do vapor d’água próximo à superfície.

O Incaper havia previsto para este domingo tempo estável no Espírito Santo, sob influência de um sistema de alta pressão, com ventos predominantes de norte, sol entre nuvens e temperaturas elevadas. Na Região Sul, a previsão indicava mínima de 18°C nas áreas menos elevadas e máxima podendo chegar a 33°C.

Como a “névoa” se forma?

O fenômeno ocorre quando o ar próximo à superfície atinge condições de temperatura e umidade que permitem que o vapor d’água se transforme em minúsculas gotículas suspensas. É, essencialmente, um processo de condensação.

O Incaper explica que, no Espírito Santo, inversões térmicas e nevoeiros podem ocorrer principalmente durante a noite e nas primeiras horas da manhã, quando há elevada umidade, resfriamento da superfície e atmosfera mais estável, com pouco vento.

No litoral, a presença do mar acrescenta um ingrediente importante: o fornecimento constante de umidade. O contraste entre a temperatura da superfície e do ar também pode favorecer a condensação. Segundo explicação meteorológica da Climatempo, o nevoeiro pode surgir tanto pelo resfriamento do ar quanto por aumento repentino da umidade ou por diferenças de temperatura entre o ar, o solo e a água do mar.

E por que lembrou Londres?

A comparação feita pelos moradores tem origem principalmente no aspecto visual. Em determinadas condições, a concentração de pequenas gotículas de água fica suficientemente intensa para reduzir a visibilidade e esconder parcialmente prédios, ruas, vegetação e até o horizonte marítimo.

Mas há uma diferença importante.

O famoso “fog” londrino histórico esteve associado também à poluição atmosférica e à formação do chamado smog, especialmente durante episódios em que partículas e gases provenientes da queima de combustíveis se misturavam ao nevoeiro.

Em Marataízes, nada indica que o fenômeno deste domingo tenha essa característica. A aparência esbranquiçada observada na Praia de Cidade Nova é compatível com um fenômeno meteorológico natural de condensação de umidade, favorecido pelas condições atmosféricas locais.

Um espetáculo passageiro

A tendência é que esse tipo de formação perca força à medida que o sol aquece a superfície e aumenta a mistura das camadas de ar. O próprio processo de aquecimento costuma contribuir para a dissipação do nevoeiro.
Assim, por algumas horas, Marataízes ganhou uma paisagem incomum: em vez do tradicional horizonte aberto do litoral, a névoa tomou conta da paisagem e transformou a Praia de Cidade Nova em uma espécie de cenário londrino — com clima capixaba, umidade do Atlântico e uma explicação perfeitamente natural para o espetáculo.

Alerta

O fenômeno foi observado pela equipe de Guarda-Vidas do município (@guardavidas_maratasul), que relatou dificuldade no monitoramento visual dos banhistas durante o período em que a neblina permaneceu mais densa. Segundo os profissionais, a baixa visibilidade também representa risco a quem entra no mar, dificultando a percepção de correntes e ondulações e comprometendo a agilidade em eventuais ações de resgate.

É importante frisar que o nevoeiro não indica risco de chuva nem mau tempo — mas a baixa visibilidade exige atenção redobrada no mar.

Os Guarda-Vidas recomendam que os banhistas sigam as orientações das equipes de salvamento e evitem se afastar da faixa de areia enquanto o fenômeno persistir.

Veja abaixo o vídeo do registro do fenômeno climático

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