Inflação desacelera para 0,58% em maio, mas alimentos pesam no bolso

Por

247

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Threads

Inflação desacelera para 0,58% em maio, mas alimentos pesam no bolso (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A inflação oficial do país desacelerou em maio, mas continuou pressionada por alimentos, energia elétrica e despesas com saúde. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês, abaixo dos 0,67% registrados em abril, mas acumulou alta de 3,20% nos cinco primeiros meses de 2026 e de 4,72% em 12 meses, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O principal foco de pressão veio do grupo alimentos e bebidas, que subiu 1,33% e respondeu por metade da inflação de maio, com impacto de 0,29 ponto percentual no índice. Na sequência, apareceram habitação, com alta de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual, e saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,90% e contribuiu com 0,12 ponto percentual para o resultado.

Alimentos puxam alta no mês

Dentro do grupo alimentos e bebidas, a alimentação no domicílio teve aumento de 1,65%. A alta foi impulsionada principalmente por itens de grande peso na mesa das famílias, como batata-inglesa, tomate, cebola e carnes.

A batata-inglesa teve aumento expressivo de 44,69% em maio. O tomate subiu 20,62%, enquanto a cebola avançou 16,80%. As carnes também ficaram mais caras, com alta de 1,39%.

De acordo com o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a elevação desses produtos está ligada à redução da oferta e aos custos logísticos. “O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e, também, há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, afirmou.

Na direção contrária, alguns alimentos ficaram mais baratos em maio. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas tiveram queda de 0,70%.

Energia elétrica tem maior impacto individual

O grupo habitação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% em maio. O principal motivo foi a alta da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e representou o maior impacto individual sobre o IPCA do mês, com contribuição de 0,15 ponto percentual.

Segundo José Fernando Gonçalves, o aumento foi provocado por reajustes tarifários em diferentes capitais e pela vigência da bandeira tarifária amarela. “A alta se deu pela combinação de reajustes em algumas áreas e a vigência, no mês de maio, da bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos”, explicou.

Entre os reajustes incorporados ao cálculo do IPCA estão os de Aracaju, Fortaleza e Salvador, vigentes desde 22 de abril; Campo Grande, a partir de 24 de abril; Recife, desde 29 de abril; e Belo Horizonte, a partir de 28 de maio.

Saúde e cuidados pessoais também pressionam

O grupo saúde e cuidados pessoais avançou 0,90% em maio. O resultado foi influenciado pelos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,95%, com destaque para perfumes, que ficaram 4,42% mais caros.

Os planos de saúde também contribuíram para a alta do grupo, com variação de 0,50% no mês.

Transportes registram queda

Transportes foi o único grupo com queda em maio, ao recuar 0,46%. O resultado foi determinado principalmente pela redução nos combustíveis, que tiveram baixa de 1,95%.

O etanol passou de uma alta de 0,62% em abril para queda de 6,20% em maio. O óleo diesel saiu de avanço de 4,46% para recuo de 2,34%. A gasolina, que teve o maior impacto negativo individual no índice, com contribuição de -0,08 ponto percentual, caiu 1,46% após subir 1,86% no mês anterior.

O gás veicular, porém, seguiu trajetória oposta. Depois de recuar 1,24% em abril, o produto subiu 5,81% em maio.

Aracaju e Campo Grande têm maiores altas regionais

Entre os índices regionais do IPCA, as maiores variações ocorreram em Aracaju e Campo Grande, ambas com alta de 1,31%. Em Aracaju, o resultado foi influenciado principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial, que subiu 7,37%, e do tomate, que avançou 32,75%.

Em Campo Grande, a energia elétrica residencial teve alta de 13,56%, enquanto o tomate subiu 22,61%. A menor variação regional foi registrada em Curitiba, com 0,29%, influenciada pelas quedas no emplacamento e licença, de 4,83%, e na gasolina, de 2,49%.

INPC sobe 0,65% em maio

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) avançou 0,65% em maio, resultado 0,16 ponto percentual inferior ao de abril, quando havia registrado alta de 0,81%.

No acumulado do ano, o INPC subiu 3,36%. Em 12 meses, o índice chegou a 4,42%, acima dos 4,11% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2025, a taxa havia sido de 0,35%.

Os produtos alimentícios passaram de alta de 1,37% em abril para 1,33% em maio. Já os itens não alimentícios desaceleraram de 0,63% para 0,43%.

No recorte regional do INPC, Campo Grande teve a maior variação, com alta de 1,49%, pressionada pela energia elétrica residencial, que subiu 13,30%, e pelas carnes, com avanço de 2,61%. A menor variação foi registrada em Vitória, com 0,34%, influenciada pelas quedas da camisa e camiseta masculina, de 3,28%, e do automóvel usado, de 2,04%.

Diferença entre IPCA e INPC

O IPCA mede a inflação para famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Já o INPC acompanha a variação de preços para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos.

Os dois índices abrangem as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

O próximo resultado do IPCA será divulgado em 10 de julho.

Mais Notícias

PREÇOS

Pesquisa de preços dos itens da Torta Capixaba aponta diferença de até 73% para o mesmo produto

PREÇOS

Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça

PREÇOS

Procon-ES inicia Operação Verão com fiscalização e orientação a consumidores

PREÇOS

Petrobrás reduz preço do diesel pela terceira vez no ano para distribuidoras

PREÇOS

Camex aprova isenção do Imposto de Importação para nove alimentos

PREÇOS

Procon de Cachoeiro garante direito do consumidor com pesquisas de preços

PREÇOS

Preço de materiais escolares tem variação de até 400% em lojas no estado, segundo Procon-ES

PREÇOS

ES Mais+Gás: Governo confirma redução do ICMS para o Gás Natural Veicular a partir de janeiro

PREÇOS

Procon de Cachoeiro divulga pesquisa de preço em postos de combustíveis

PREÇOS

Procon-ES dá dicas para compras do Dia dos Namorados

PREÇOS

Novo Aumento: gasolina sobe 5,18%; alta do diesel é de 14,26%

PREÇOS

Petrobrás anuncia reajuste de 19% no gás natural para distribuidoras

PREÇOS

Petrobrás anuncia reajuste de 19% no gás natural para distribuidoras

PREÇOS

Alta dos combustíveis tem reação negativa das classes política e empresarial

PREÇOS

Alta dos combustíveis tem reação negativa das classes política e empresarial