Espírito Santo fatura US$ 100 milhões com rochas e concentra 75% das exportações brasileiras

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Redação O JORNAL

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Estado exportou US$ 100,2 milhões em setembro, com crescimento de 15,04% em um ano; tarifas dos Estados Unidos continuam pressionando a competitividade do setor

O Espírito Santo reforçou sua posição de liderança nacional no mercado de rochas naturais ao movimentar US$ 100,2 milhões em exportações em setembro de 2026. O resultado representa um crescimento de 15,04% em relação ao mesmo mês do ano passado e correspondeu a 75,38% de todo o valor exportado pelo Brasil no segmento.

Em volume, os embarques capixabas somaram 143.373 toneladas, avanço de 9,98% na comparação anual. Os números constam do relatório mensal do Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Estado do Espírito Santo (Sindirochas), elaborado com base nos dados oficiais do sistema Comex Stat.

O desempenho confirma a força da indústria capixaba no comércio internacional, mas ocorre em um cenário de desafios comerciais, especialmente em razão das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, principal destino das rochas naturais do Espírito Santo.

Materiais de maior valor impulsionam faturamento

Para o presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Tales Machado, o crescimento registrado em setembro foi favorecido pela comercialização de materiais de maior valor agregado, como os quartzitos.

Apesar do resultado positivo no mês, o dirigente recomenda cautela na avaliação do desempenho do setor. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras de rochas naturais apresentaram retração de 0,7%, enquanto as tarifas adicionais aplicadas a mármores, granitos e ardósias continuam afetando a competitividade das empresas nacionais.

O cenário revela um contraste entre a recuperação pontual do faturamento e as dificuldades enfrentadas pelo setor para manter o ritmo das vendas em seus principais mercados internacionais.

Exportações acumulam queda no ano

Entre janeiro e setembro, o Espírito Santo exportou US$ 838,07 milhões em rochas naturais, uma redução de 4,34% em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado também recuou 4,19%, totalizando aproximadamente 1,08 milhão de toneladas.

As chapas de granito, principal produto da pauta exportadora capixaba, movimentaram US$ 680,7 milhões no período, queda de 3,62%. Já os blocos de granito, com menor grau de beneficiamento, apresentaram comportamento diferente: as vendas cresceram 7,28%, alcançando US$ 108,5 milhões.

No acumulado do ano, a participação do Espírito Santo nas exportações brasileiras de rochas ficou em 76,39%, demonstrando a concentração da atividade no Estado e sua relevância para a cadeia produtiva nacional.

Dependência do mercado americano preocupa setor

Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das rochas naturais capixabas. Segundo o presidente do Sindirochas, Bismark Bachiete, aproximadamente 63% do valor exportado pelo setor nos nove primeiros meses de 2026 teve como destino o mercado norte-americano.

A importância desse relacionamento comercial ultrapassa os limites da própria indústria de rochas. No mesmo período, o segmento respondeu por 23,37% do valor total exportado pelo Espírito Santo para os Estados Unidos. Na prática, quase um quarto das vendas capixabas destinadas ao mercado americano veio desse setor.

Para Bismark, essa exposição torna os efeitos das barreiras comerciais particularmente relevantes para a economia estadual, com possíveis reflexos sobre a produção industrial, os investimentos e os empregos ligados à atividade.

Setor busca recuperar competitividade

Diante das restrições comerciais, a Centrorochas mantém articulação com autoridades americanas para discutir alternativas que favoreçam as exportações brasileiras. Em 22 de outubro, representantes da entidade estiveram em Washington para dar continuidade às tratativas comerciais entre os dois países, após encontros anteriores, incluindo uma reunião no Consulado-Geral dos Estados Unidos, em São Paulo.

Tales Machado defende a construção de condições comerciais

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