Especialistas: Família é fundamental no cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes

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REDAÇÃO

Segundo dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), as condições de saúde mental são responsáveis por 16% da carga global de doenças e lesões entre pessoas de 10 a 19 anos. No mês em que a saúde mental pauta campanhas e ações de promoção da saúde, no conhecido ‘Janeiro Branco’, profissionais do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), localizado em Vila Velha, reforçam a importância do cuidado com crianças e adolescentes.

De acordo com o coordenador médico de Psiquiatria do Himaba, Rafael Mazzini, é importante o interesse dos pais na rotina da criança e do adolescente como forma de prevenir e identificar vulnerabilidades da saúde mental de maneira precoce.

“Estar próximo dos filhos, demonstrar interesse genuíno sobre como foi o dia da criança, quais atividades ela realizou, como está a rotina escolar, os aprendizados e as amizades. Fazer o controle do uso de telas e também monitorar o que a criança está vendo e acessando nas redes sociais são cuidados preventivos importantes. Há muitas pessoas mal-intencionadas na internet, e grupos estimulam práticas ruins e autolesivas”, alertou o coordenador médico de Psiquiatria do Himaba.

O profissional aponta ainda que, entre as mudanças de comportamento que os pais precisam se atentar em relação à saúde mental de seus filhos, estão a introspecção (quando a criança para de brincar), alterações no sono, irritação, mudanças de humor com agitação e inquietude, desobediência aumentada, desânimo ou ansiedade acima do habitual.

O médico reforçou ainda a atenção para sinais no corpo, pois a criança pode estar se machucando ou se autolesionando. “O tratamento é muito mais eficaz quando iniciado precocemente, ainda nos estágios iniciais da doença. Ao identificar sinais de fragilidade, a família deve acolher a criança, escutá-la com atenção e buscar compreender o que está acontecendo, para então definir a conduta de cuidado mais adequada”, disse.

Ele ressaltou também que, caso a criança apresente sinais de risco, como pensamentos suicidas, automutilação ou mudanças significativas no estado de humor, como crises intensas de ansiedade, “é fundamental procurar atendimento psiquiátrico”, e complementou: “Outras estratégias terapêuticas também podem ser indicadas, como acompanhamento psicológico, ajustes na rotina, prática regular de atividade física e a adoção de hábitos de sono adequados”.

Família é a base para a saúde mental

Segundo explicou a referência técnica em Psicologia do Himaba, Mirela Pieve, quando um transtorno mental não é identificado e tratado adequadamente, ele pode se agravar, impactar a autoestima, as relações interpessoais, o desempenho escolar e até o projeto de vida do adolescente.

“Intervir no momento certo permite reduzir o sofrimento, prevenir agravamentos e promover estratégias saudáveis de enfrentamento desde cedo. Além disso, quanto mais precoce a intervenção, maiores são as chances de um prognóstico positivo, com menor necessidade de tratamentos mais complexos no futuro”, informou Pieve.

A especialista destaca que a base da saúde mental começa nas relações e ressalta que famílias que oferecem um ambiente seguro, acolhedor e com espaço para o diálogo favorecem o desenvolvimento emocional saudável.

“Ouvir sem julgamentos, validar sentimentos, respeitar a individualidade e os limites da criança e do adolescente são atitudes essenciais no dia a dia. Manter rotinas estruturadas, incentivar hábitos saudáveis, como sono adequado, alimentação equilibrada, atividades físicas e momentos de lazer, também são fatores protetivos importantes. É fundamental reforçar que buscar ajuda profissional não deve ser visto como último recurso, mas como um cuidado preventivo. Quando a família percebe que não está conseguindo lidar sozinha com determinada situação ou que o sofrimento é persistente, procurar um psicólogo é um gesto de responsabilidade e amor”, pontuou a profissional.

Saúde mental em números

Atualmente, o Himaba conta com 25 leitos de internação psiquiátrica e realiza mais de mil atendimentos mensais relacionados à Saúde Mental, por meio de consultas ambulatoriais e de telemedicina. Para além dos cuidados em saúde, a unidade também desenvolve iniciativas de humanização no setor de Saúde Mental, como atividades periódicas com voluntários de projetos como ‘Doutores de Patas’ e ‘Super Amigos Voluntários’.

Para o diretor-geral da unidade, Claudio Amorim, a ampliação dos leitos e das consultas para pacientes psiquiátricos é um investimento no futuro, pois “crianças e adolescentes tratados em suas demandas de saúde mental têm maiores chances de se tornarem adultos saudáveis, resilientes e emocionalmente conscientes”.

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