Sessão foi marcada por avaliações divergentes sobre os resultados eleitorais, cobranças de obras e denúncias de violência policial após a votação
A eleição de Lorenzo Pazolini (Republicanos) para o Governo do Espírito Santo e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial dominaram os pronunciamentos na sessão ordinária desta segunda-feira (26), na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). Os deputados apresentaram avaliações distintas sobre os resultados, as perspectivas econômicas do país e os desafios dos próximos governos.
Realizada no Plenário Dirceu Cardoso, a sessão também teve cobranças por investimentos em infraestrutura e denúncias de possíveis excessos policiais registrados após a divulgação dos resultados eleitorais.
Aliados projetam mudanças no Estado
Coronel Weliton (DC) abriu os pronunciamentos parabenizando Pazolini, cuja campanha acompanhou na região do Caparaó. O parlamentar lamentou a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência e manifestou confiança na atuação dos representantes eleitos para o Congresso Nacional.
Já Alcântaro Filho (Republicanos) recorreu ao livro bíblico de Provérbios para criticar o resultado presidencial. O deputado previu consequências econômicas negativas para o país, incluindo impactos sobre a Bolsa de Valores e o dólar.
Em relação ao Espírito Santo, porém, demonstrou otimismo com a eleição de Pazolini, a quem atribuiu condições de promover uma gestão baseada no diálogo, na redução de despesas desnecessárias e no combate à corrupção.
Delegado Danilo Bahiense (PL) também parabenizou o governador eleito e colocou seu mandato à disposição para colaborar com as propostas do novo governo.
Marcelo Santos defende diálogo institucional
O presidente da Ales, Marcelo Santos (União), destacou as diferenças entre administrar Vitória e governar um Estado com 78 municípios e realidades distintas.
Para ele, Pazolini precisará construir relações com os 30 deputados estaduais, o Judiciário, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, a Defensoria Pública e o setor produtivo.
Marcelo defendeu o diálogo entre os poderes e a construção de projetos estratégicos para o Espírito Santo. Ao governo federal reeleito, cobrou maior atenção às demandas capixabas, especialmente à duplicação da BR-262, que relacionou aos compromissos de reparação decorrentes do desastre de Mariana (MG).
Oposição anuncia fiscalização
Eleito para a Câmara dos Deputados, Lucas Polese (PL) criticou o processo eleitoral e declarações de Lula sobre a regulamentação das redes sociais. O parlamentar também projetou dificuldades econômicas e reafirmou sua oposição ao governo federal.
Sobre a futura gestão estadual, entretanto, afirmou que poderá apoiar as medidas de Pazolini com as quais concordar, desde que sejam positivas para o Espírito Santo.
PT e PSOL celebram vitória presidencial
João Coser (PT) classificou a vitória de Lula como uma defesa da democracia e da soberania nacional. O deputado destacou o crescimento da votação do presidente no Espírito Santo, de aproximadamente 38% no primeiro turno para mais de 43% no segundo, segundo os números citados em seu pronunciamento.
Camila Valadão (PSOL) atribuiu o resultado à mobilização popular, destacando a participação de mulheres, jovens, idosos e pessoas com deficiência. A parlamentar defendeu a ampliação de direitos sociais e anunciou oposição firme ao governo Pazolini.
Entre os pontos que pretende fiscalizar, citou possíveis mudanças nas políticas destinadas aos aposentados, privatizações na saúde e medidas que, em sua avaliação, possam representar retrocessos nas áreas de educação, meio ambiente e cultura.
Deputada denuncia possível violência policial

Camila Valadão também denunciou uma ocorrência registrada em Muqui, no sul capixaba, após o resultado das eleições. A deputada apresentou fotografias de um homem ferido, com lesões que, segundo a denúncia, teriam sido provocadas por policiais.
A parlamentar afirmou que a Comissão de Direitos Humanos da Ales cobrará apuração da Polícia Militar, da Corregedoria da corporação e do Ministério Público. Também mencionou relatos de possíveis episódios de violência policial em Pedro Canário, Linhares, Marataízes e Iúna.
Segundo Camila, será necessário verificar as circunstâncias das ocorrências e se houve alguma relação entre as ações registradas em diferentes municípios. As denúncias dependem de investigação pelas autoridades competentes.
Coronel Weliton cobra obras no Caparaó
Além do debate eleitoral, Coronel Weliton voltou a cobrar a pavimentação asfáltica da rodovia ES-379, no trecho entre Iúna e Muniz Freire, considerada por ele uma obra histórica para a região.
O deputado também reivindicou a conclusão de um muro de arrimo às margens da rodovia, no bairro Guanabara, em Iúna, próximo à Escola Santíssima Trindade. Segundo ele, a diferença de nível entre a estrada e a unidade escolar representa riscos para estudantes e profissionais. A obra teria sido iniciada há três anos e permanece inconclusa.
Os pronunciamentos evidenciaram as divergências entre os parlamentares sobre os rumos políticos do país e do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, as cobranças por infraestrutura e a apuração das denúncias de violência policial permanecem entre os temas que exigem respostas das autoridades.
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