Economist vê Trump num beco sem saída no Irã

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Revista britânica aponta que todas as opções dos EUA no conflito com Teerã são desfavoráveis e carregam riscos estratégicos e econômicos – Foto:  REUTERS/Ilustrativa

Os Estados Unidos enfrentam um cenário altamente desfavorável em sua estratégia diante do Irã, com poucas alternativas viáveis e todas carregadas de riscos significativos. A avaliação é da revista britânica The Economist, em análise repercutida pela agência russa TASS, que aponta um verdadeiro impasse para o governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, no desenrolar do conflito no Oriente Médio.

Segundo a publicação, Washington dispõe de quatro possíveis caminhos: negociar, recuar, manter a atual ofensiva ou escalar o conflito. No entanto, nenhum deles oferece uma solução satisfatória. “Para quase todos os demais, está claro que os Estados Unidos entraram nesta guerra com uma estratégia falha, começando pela incapacidade de prever que o Irã fecharia o estreito”, afirma a revista, em referência ao estratégico Estreito de Ormuz.

Estratégia falha e impasse militar

De acordo com o diagnóstico da The Economist, a crise atual é resultado de erros de cálculo por parte dos EUA. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota essencial para o transporte global de petróleo — agravou significativamente o cenário, elevando tensões e pressionando os mercados energéticos.

A revista destaca que, após semanas de combates, Trump ainda não definiu um rumo claro. “Com os combates entrando na quarta semana, Trump tem quatro opções: conversar, sair, continuar ou escalar. Se ainda não escolheu uma, é porque nenhuma delas é boa”, aponta o texto.

Negociação enfrenta descrédito e obstáculos

A possibilidade de negociação é considerada especialmente complexa. Isso porque, nas duas ocasiões anteriores em que houve diálogo entre Washington e Teerã, os Estados Unidos lançaram ataques militares durante as tratativas, comprometendo a confiança entre as partes.

Além disso, a escolha de um mediador confiável surge como um desafio adicional, agravado pelas exigências consideradas maximalistas tanto dos EUA quanto do Irã.

Saída antecipada não resolve crise estrutural

Outra alternativa seria encerrar o conflito e declarar vitória. No entanto, segundo os analistas da revista, essa estratégia não resolveria questões centrais, como o estoque iraniano de urânio enriquecido, nem traria alívio imediato aos preços da energia.

Isso porque o controle do Estreito de Ormuz continuaria sob influência do Irã, mantendo o risco sobre o fluxo global de petróleo. Ao mesmo tempo, um recuo poderia prejudicar as relações dos EUA com aliados no Golfo Pérsico, já que Washington desempenha papel-chave na garantia da segurança energética da região.

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