Com impasse em negociações Irã manda fechar Estreito de Ormuz

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CBN

Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã. — Foto: Reprodução/Nasa

O governo do Irã anunciou nessa terça-feira (17) que fechou temporariamente o Estreito de Ormuz para a realização de exercícios militares na região. A medida, comunicada na TV estatal iraniana, ocorre em meio às negociações com os Estados Unidos, em Genebra, sobre o programa nuclear do país.

O governo de Donald Trump exige que um acordo seja firmado para encerrar o enriquecimento de urânio e a produção de armas nucleares pelo regime do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Em troca, o Republicano colocaria fim às sanções à economia iraniana, que enfrenta uma forte crise. Diversos protestos ocorreram no país, nas últimas semanas, por causa da desvalorização da moeda local. No período de um ano, o preço dos alimentos registrou um aumento médio de 72%.

Mais cedo, após o fim da segunda rodada de negociações, o ministro das Relações Exteriores do regime Teerã declarou que as conversas com os representantes do governo norte-americano foram construtivas. Ele disse que foram acordadas as “linhas gerais” para um pacto. As autoridades iranianas, no entanto, informaram que ainda não há uma data para continuar o diálogo.

Enquanto isso, ambos os países aumentaram a presença militar no Estreito de Ormuz. Os EUA anunciaram o envio do porta-aviões USS Gerald Ford, o maior da Marinha americana, em meio às especulações de um possível ataque ao Irã caso as negociações não resultem em um compromisso.

Antes do anúncio do fechamento da região, Khamenei advertiu que as tentativas dos EUA de derrubarem o governo vão fracassar. Ele também afirmou que o país vai sofrer consequências caso decidam atacar a nação persa.

O que é o Estreito de Ormuz e qual sua importância?

Estreito de Ormuz. — Foto: Reprodução

O Estreito de Ormuz é uma pequena área entre Irã e Omã, em que os navios petroleiros passam para ir a outros locais do mundo. O governo iraniano já levantou algumas vezes a possibilidade de fechar esse espaço, porém isso nunca ocorreu totalmente, apenas parcialmente, como agora.

Especialistas afirmam que um fechamento da região ocasionaria um problema de escala internacional e interromperia o mercado global de petróleo. A Administração de Informação de Energia dos EUA diz que cerca de 20 milhões de bairros passagem pela área todos os dias.

À CNN, Rob Thummel, gerente sênior de portfólio da empresa de investimentos em energia Tortoise Capital, disse que uma interrupção faria os preços dispararem para US$ 100 cada barril – atualmente o preço está em cerca de US$ 70. Ele conta que o estreito é ‘absolutamente essencial’ para a economia de todos os países.

A Agência Internacional de Energia disse em um relatório divulgado no ano passado que o fechamento, mesmo em um período limitado, ‘teria um impacto importante nos mercados globais de petróleo e gás natural’.

Autoridade do Irã afirma que Estreito de Ormuz será ‘campo de extermínio’ para os EUA

Ezzatollah Zarghami durante discurso. — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O governo iraniano anunciou que interceptou dois navios pelo Estreiro de Ormuz, perto da ilha Farsi, alegando que transportavam um milhão de litros de combustível contrabandeado. A informação foi confirmada pela mídia estatal do país, destacando que 15 estrangeiros nas embarcações foram detidos.

O caso gerou críticas e uma pressão por parte de autoridades do país para uma resposta aos Estados Unidos, que vem ameaçando um ataque contra o país. Uma autoridade com influência dentro do governo, Ezzatollah Zarghami, ex-ministro iraniano e ex-chefe da emissora estatal, emitiu um alerta, ameaçando com violência no Estreito de Ormuz. No local, passa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo e derivados.

‘Tenho certeza de que o Estreito de Ormuz será um lugar de massacre e inferno para os EUA. O Irã demonstrará que o Estreito de Ormuz pertence historicamente ao Irã. A única coisa que os americanos conseguem pensar é em brincar com seus navios e movê-los de um lugar para outro’, disse nessa quinta-feira (5).

Mais tarde, Zarghami reiterou a ameaça, chamando o Estreito de um potencial ‘campo de extermínio’ para as forças americanas e sinalizando a disposição do Irã em intensificar o conflito em meio à crescente pressão regional.

A Guarda Revolucionária Islâmica alegou que as embarcações faziam parte de uma rede organizada de contrabando de combustível que operava na região há vários meses.

O jornal The Jerusalem Post diz que as autoridades iranianas descreveram a operação como um golpe significativo no tráfico ilegal de combustível, embora não tenham divulgado imediatamente a nacionalidade ou o destino das embarcações.

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