Câncer de mama: mutação no sangue pode mudar tratamento

Por

ESBRASIL

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Threads

Novo medicamento aprovado pela Anvisa amplia as opções de tratamento para casos específicos de câncer de mama avançado – Foto: Divulgação

A identificação de uma alteração genética no sangue pode ajudar médicos a antecipar uma mudança no tratamento de determinados casos de câncer de mama avançado. A estratégia ganhou espaço com a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Etcamah (camizestranto), medicamento oral indicado para um grupo específico de pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático.

O registro contempla tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+) e negativos para HER2, quando surge a mutação no gene ESR1 durante o tratamento hormonal e ainda não há sinais de progressão da doença.

A principal novidade está na possibilidade de identificar essa alteração molecular antes que o câncer volte a apresentar crescimento detectável nos exames de imagem. A mutação ESR1 pode estar relacionada ao desenvolvimento de resistência à terapia hormonal e pode ser identificada por meio da análise do DNA tumoral circulante no sangue, em uma estratégia conhecida como biópsia líquida.

Em entrevista ao portal ES Brasil, a ginecologista e obstetra Dra. Ana Bimbato, da Bluzz, explica que essa informação molecular pode contribuir para uma decisão mais antecipada sobre a estratégia terapêutica.

“A identificação de uma alteração molecular como a mutação ESR1 pode mostrar que o tumor está desenvolvendo resistência ao tratamento antes mesmo de uma progressão ser percebida nos exames de imagem. Isso permite que a equipe médica tenha uma informação adicional para avaliar, de forma antecipada e individualizada, a necessidade de mudança da estratégia terapêutica”, explica.

A especialista ressalta que a novidade não significa que o medicamento será indicado para todos os casos de câncer de mama. A aprovação estabelece critérios específicos relacionados às características do tumor, à presença da mutação e ao histórico de tratamento de cada paciente.

Como funciona o novo medicamento

O camizestranto pertence a uma nova geração de medicamentos chamados degradadores seletivos do receptor de estrogênio. Ele atua sobre o receptor de estrogênio das células tumorais, bloqueando sua ação e promovendo sua degradação.

Na prática, a proposta é mudar a terapia quando a mutação ESR1 aparece, mesmo que a paciente ainda não apresente sinais de progressão da doença nos exames de imagem.

Resultados do estudo

A aprovação tem como uma das bases os resultados do estudo internacional SERENA-6, que avaliou pacientes com câncer de mama avançado ER+ e HER2- que desenvolveram a mutação ESR1 durante o tratamento.

Mais de 3,2 mil pacientes foram inicialmente testadas para identificar a alteração genética. Desse grupo, 315 apresentaram o perfil necessário para participar da etapa de comparação entre a troca para camizestranto e a manutenção da terapia anterior.

Os resultados publicados no New England Journal of Medicine mostraram que o tempo mediano sem progressão da doença foi de 16 meses entre as pacientes que passaram a receber camizestranto, contra 9,2 meses entre aquelas que continuaram com o inibidor de aromatase. O estudo também apontou uma redução de 56% no risco de progressão da doença ou morte no grupo que fez a troca de tratamento.

Uma atualização posterior do estudo manteve o benefício observado, com 16,8 meses de tempo mediano sem progressão no grupo tratado com camizestranto, contra 9,2 meses entre as pacientes que permaneceram com o inibidor de aromatase.

Câncer de mama no Brasil

O câncer de mama continua sendo o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Para cada ano do triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos no país.

A aprovação do camizestranto amplia as opções terapêuticas para um grupo específico de pacientes e reforça uma estratégia que vem ganhando espaço na oncologia: utilizar informações moleculares do tumor para orientar mudanças no tratamento antes que a progressão seja identificada pelos exames convencionais.

O medicamento ainda passa pela etapa de definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes da comercialização no país.

Mais Notícias

Medicina

Unimed Sul Capixaba revoluciona tratamento do câncer com técnica exclusiva na Região Sul do ES

Medicina

Câncer caminha para ser controlável, afirmam médicas

Medicina

Unidades de Saúde de Anchieta recebem novos notebooks

Medicina

Moradores de Alfredo Chaves começam a receber atendimento por telemedicina