Bloqueio dos EUA não altera fluxo no estreito de Ormuz

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Estreitode Ormuz / Ilustração Reuters (Foto: Ilustração Reuters)

O tráfego marítimo no estreito de Ormuz manteve-se reduzido, mas sem grandes alterações no primeiro dia completo do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a navios ligados a portos iranianos, evidenciando que o fluxo já operava em níveis historicamente baixos enquanto persistem tensões geopolíticas e custos elevados de seguro.

De acordo com reportagem da agência Reuters, ao menos oito embarcações atravessaram a hidrovia na terça-feira (14), incluindo três petroleiros associados ao Irã, apesar das restrições anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo, após o fracasso de negociações de paz realizadas em Islamabad.

Tráfego segue abaixo dos níveis pré-conflito

Dados do setor indicam que o movimento no estreito continua muito distante dos mais de 130 navios que cruzavam diariamente a região antes do início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Desde então, o fluxo representa apenas uma fração desse volume.

Segundo o Comando Central dos EUA, nas primeiras 24 horas do bloqueio, nenhuma embarcação conseguiu atravessar sob as condições impostas. “Durante as primeiras 24 horas, nenhum navio conseguiu ultrapassar o bloqueio dos EUA”, informou o órgão, acrescentando que seis navios foram instruídos a retornar a portos iranianos.

Apesar disso, três embarcações ligadas ao Irã conseguiram cruzar o estreito sem serem afetadas, já que não tinham como destino portos iranianos.

Petroleiros seguem operando sob restrições

Entre os navios em trânsito está o petroleiro Peace Gulf, de bandeira panamenha, que segue para o porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo dados de mercado, a embarcação costuma transportar nafta iraniana destinada a exportação para a Ásia.

Outros navios também realizaram travessias, incluindo embarcações autorizadas pelos Estados Unidos e um petroleiro sancionado, que transporta cerca de 250 mil barris de metanol e pertence a uma empresa chinesa.

Além disso, cinco outras embarcações — incluindo navios químicos, de gás, carga seca e um cargueiro que atracou no porto iraniano de Bandar Abbas — passaram pelo estreito desde o início do bloqueio.

China critica medida dos EUA

O governo chinês reagiu à decisão americana, classificando a medida como arriscada. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o bloqueio é “perigoso e irresponsável” e alertou para o risco de agravamento das tensões na região.

Custos de seguro e incertezas persistem

O bloqueio ampliou as incertezas para o setor marítimo e energético, especialmente para transportadoras e seguradoras. Embora os custos de seguro contra riscos de guerra não tenham aumentado desde o início das restrições, permanecem elevados, atingindo centenas de milhares de dólares por semana.

Fontes do setor informam que as apólices estão sendo reavaliadas a cada 48 horas, refletindo a volatilidade do cenário.

Analistas indicam que a estratégia dos Estados Unidos não envolve necessariamente impedir completamente o tráfego. O professor de ciência política Fabrizio Coticchia, da Universidade de Gênova, explicou que a abordagem pode ser intermitente. “Os Estados Unidos não precisam bloquear todos os tipos de navios ou entrar no estreito de Ormuz; podem realizar um bloqueio intermitente”, afirmou. Segundo ele, “os navios não serão atacados, mas desviados”, com a presença de embarcações militares americanas posicionadas fora da área principal, no Golfo de Omã.

Relatório da corretora marítima BRS reforça o cenário de incerteza, indicando que a normalização da região parece mais distante. “Um retorno à ‘normalidade’ no Oriente Médio agora parece mais distante do que há uma semana”, destacou a empresa, acrescentando que a tendência é de pouco ou nenhum tráfego comercial no estreito no curto prazo.

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