Instituição apresentou balanço de 2025 na Câmara Municipal e mostrou que, em algumas áreas, número de atendimentos superou em mais de duas vezes a capacidade prevista
Os 57 anos de atuação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Cachoeiro de Itapemirim (Apae) foram marcados por um alerta sobre o crescimento da demanda por serviços destinados às pessoas com deficiência. Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal, nesta terça-feira (1º), representantes da instituição apresentaram um balanço dos atendimentos realizados em 2025 e defenderam a ampliação das políticas públicas e dos recursos destinados ao setor.
A gerente geral da Apae Cachoeiro, Vanir Carvalho, destacou que a instituição ultrapassou a capacidade estabelecida em contratos e convênios em diferentes áreas, evidenciando uma demanda que, segundo ela, ainda não é plenamente atendida.
Na Assistência Social, por exemplo, a capacidade conveniada é de 124 pessoas, mas 152 foram atendidas ao longo de 2025. Deste total, 142 eram adultos entre 20 e 59 anos, público que, muitas vezes, encontra dificuldades para acessar serviços especializados e redes de proteção.
“São 152 famílias acolhidas, orientadas, que recebem suporte para não entrarem em situação de risco. A maioria, 142 pessoas, são adultos de 20 a 59 anos, que muitas vezes não têm para onde ir. São os invisíveis que a Apae enxerga”, afirmou Vanir.
Saúde registra demanda mais de duas vezes superior à capacidade
O cenário mais expressivo foi registrado na área da saúde. O Centro Especializado em Reabilitação (CER II), que possui capacidade contratada para atender 400 pacientes, recebeu 982 pessoas em 2025 — número equivalente a mais de duas vezes a capacidade prevista.
Para a gerente geral, os dados revelam a existência de uma demanda reprimida e, ao mesmo tempo, a confiança das famílias nos serviços oferecidos pela instituição.
O projeto Acolher, desenvolvido em parceria com a Prefeitura, também ultrapassou a meta estabelecida. Foram 160 atendimentos diante de uma capacidade prevista de 150.
Na Educação, por meio do Atendimento Educacional Especializado (AEE), foram contabilizados 110 atendimentos, dentro de uma capacidade de 160.
Ao todo, a Apae Cachoeiro contabilizou 1.404 pessoas atendidas em 2025, entre crianças, adultos e idosos com autismo, deficiência intelectual ou deficiência física.
Ao apresentar o balanço, Vanir também destacou a transformação da Apae ao longo de quase seis décadas. Segundo ela, a instituição deixou de atuar exclusivamente como escola especial e passou a oferecer uma ampla rede de serviços nas áreas de saúde, assistência social e educação.
“A Apae Cachoeiro não é mais apenas uma escola especial. É o maior centro de reabilitação e proteção social especial para PCD do Sul do Estado, operando com 145% de sobrecarga na saúde”, afirmou.
A dirigente defendeu ainda um diálogo permanente com o Poder Legislativo para discutir mecanismos capazes de adequar o financiamento dos serviços à realidade atual, principalmente diante do crescimento da demanda relacionada ao autismo.
57 anos de história e compromisso
Além de Vanir Carvalho, participaram da sessão a presidente da Apae Cachoeiro, Mirian Lopes Pena, e os usuários Moisés Pereira, Priscila Souza Cardoso e Adriely Damasceno.
A presença da instituição na Câmara reforçou a importância da integração entre o poder público e as entidades que atuam diretamente na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
Ao completar 57 anos, a Apae Cachoeiro apresenta números que, mais do que traduzir sua atuação, expõem um desafio para o poder público: a necessidade de ampliar a estrutura e o financiamento dos serviços diante de uma procura que cresce em ritmo superior à capacidade contratada.
“57 anos depois, a Apae continua fazendo o que sempre fez: superando a capacidade, fazendo mais com menos, porque acredita nas pessoas”, concluiu Vanir.


























