Marcão Vivácqua concentra votação expressiva no Triângulo do Sul, Fabrício Petri amplia sua marca eleitoral em Anchieta e Cabo Vidal surpreende pela capilaridade; Tininho Batista tem desempenho distante de sua antiga força local
A eleição de 2026 deixa um retrato importante para a política do Litoral Sul e do Sul capixaba. Embora a região tenha conseguido eleger Peter Costa (PP) e Victor Coelho (PSB) para a Assembleia Legislativa, o desempenho dos demais nomes com forte ligação regional mostra que ainda existe um desafio para transformar bases municipais em representação estadual.

Entre os candidatos do litoral e do extremo sul, Marcão Vivácqua (Agir) foi um dos protagonistas. Ele terminou a disputa com 14.574 votos, ficando como suplente. A votação, embora insuficiente para conquistar uma cadeira, confirma a existência de uma base eleitoral consolidada, especialmente no chamado Triângulo do Sul — Marataízes, Itapemirim e Presidente Kennedy, eixo que sustentou sua campanha.
A candidatura de Marcão foi construída justamente sobre a proposta de ampliar a representação política da região, partindo do Triângulo do Sul para alcançar municípios como Piúma, Anchieta, Guarapari, Cachoeiro, Mimoso do Sul e outras cidades do Sul capixaba.
O resultado, porém, mostra também o limite dessa estratégia em uma eleição proporcional: ter uma votação individual relevante não garante, por si só, uma cadeira na Assembleia. A distribuição das vagas considera o desempenho das legendas e federações, além da votação individual dos candidatos.
Fabrício Petri mantém peso eleitoral em Anchieta

Outro nome que merece destaque é o do ex-prefeito de Anchieta Fabrício Petri (Agir). Candidato a deputado estadual, Petri alcançou 18.305 votos, resultado que o deixou na condição de suplente. Foi a maior votação de sua trajetória eleitoral, superando os números obtidos nas duas eleições em que venceu a Prefeitura de Anchieta.
O resultado demonstra que Petri conseguiu levar para uma disputa estadual parte da força política construída no município, onde foi prefeito em 2016 e 2020. Durante a campanha, sua candidatura também buscou ampliar a articulação para municípios vizinhos e outras regiões.
Embora os 18,3 mil votos não tenham sido suficientes para a eleição, o número coloca Petri entre os candidatos regionais que saem das urnas com uma base eleitoral mensurável para futuras disputas.
Cabo Vidal amplia votação com estrutura enxuta

Outro desempenho que chama atenção é o de Cabo Vidal (MDB). O candidato alcançou 11.806 votos e terminou como suplente.
O resultado ganha dimensão quando observado à luz da estrutura financeira declarada durante a campanha. Segundo os dados disponíveis, Cabo Vidal declarou R$ 38 mil em receitas, integralmente provenientes de recursos próprios, e aproximadamente R$ 36 mil em despesas contratadas. Também não recebeu recursos do Fundo Eleitoral em suas campanhas recentes.
Mais do que a quantidade absoluta de votos, o desempenho indica a capacidade de uma candidatura com estrutura financeira reduzida alcançar eleitores em diferentes municípios. Em uma eleição marcada por campanhas de estruturas muito maiores, a votação obtida por Cabo Vidal constitui um dado relevante para a leitura do cenário político regional.
Tininho e o sinal vindo de Marataízes

Se alguns nomes ampliaram suas bases, o resultado de Tininho Batista (PV) apresenta uma leitura diferente.
O ex-prefeito de Marataízes terminou a disputa com 1.620 votos em todo o Estado, em candidatura que permaneceu sub judice após o indeferimento do registro pelo TRE-ES. A defesa recorreu da decisão.
O dado chama atenção principalmente pela trajetória anterior de Tininho. Ele foi prefeito de Marataízes por dois mandatos, obtendo 7.842 votos em 2016 e 9.469 em 2020.
Por isso, o desempenho de 2026 representa uma distância significativa em relação à votação que o levou duas vezes ao comando do município.
O resultado, portanto, impõe um novo desafio político a Tininho caso mantenha a intenção de voltar a disputar a Prefeitura de Marataízes. Uma candidatura majoritária depende de reconstrução de alianças e de demonstração de força eleitoral local, e a votação obtida agora será inevitavelmente incorporada às análises sobre seu futuro político.
Importante registrar, porém, que a situação jurídica da candidatura também interfere na leitura do resultado, já que o registro permaneceu sub judice.
Dois ex-prefeitos chegam à Assembleia

Na outra ponta desse cenário estão Peter Costa e Victor Coelho, dois ex-prefeitos do Sul que conseguiram converter suas bases municipais em cadeiras na Assembleia Legislativa.
Peter Costa, ex-prefeito de Mimoso do Sul, foi eleito deputado estadual pelo PP com 31.537 votos. Antes de chegar à disputa estadual, havia sido eleito prefeito do município em 2020 e reeleito em 2024.
Victor Coelho, ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim por dois mandatos, também conquistou uma cadeira. Pelo PSB, recebeu 26.006 votos e foi eleito pelo critério de média.
Os dois resultados são particularmente significativos porque mostram caminhos diferentes para uma candidatura regional: Peter Costa transformou uma forte base construída em Mimoso do Sul em votação estadual; Victor Coelho fez movimento semelhante a partir de Cachoeiro, maior polo urbano do Sul do Estado.
O mapa político que sai das urnas
A nova composição da Assembleia deixa, portanto, uma fotografia interessante do Sul capixaba. Sem ampliar o tamanho total de sua bancada na Alees, a região passa por um momento de transição: enquanto Allan Ferreira não obteve novo mandato e Bruno Resende migrou para Brasília na Câmara Federal, Peter Costa e Victor Coelho assumem os papéis de novos representantes estaduais do Sul. Marcão Vivácqua, Fabrício Petri e Cabo Vidal terminam a eleição como suplentes, mas com votações que mantêm seus nomes no radar da política regional.
O resultado também mostra que a disputa pelo eleitorado do Sul não se resume mais a uma única cidade ou liderança. As candidaturas que conseguiram ultrapassar suas fronteiras municipais demonstraram capacidade de construir votação regional, mas a eleição deixou claro que transformar essa capilaridade em mandato exige, além de votação individual, uma estrutura partidária capaz de converter os votos em cadeiras.
Para o Litoral Sul, fica ainda outra questão em aberto: quem terá capacidade de transformar o capital eleitoral acumulado em 2026 em projetos políticos competitivos para as próximas eleições municipais e estaduais?
A resposta começará a ser desenhada já nos próximos meses, quando os grupos políticos passarem a contabilizar não apenas os votos conquistados, mas também as bases que permaneceram de pé depois das urnas.




















