Em coletiva, reitor explica prejuízos da proposta de fracionar a Ufes

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O reitor da UFES, Paulo Vargas, se posiciona contra desmembramento do Campus de Alegre 

“A proposta de desmembrar o campus de Alegre, no sul do estado, da Universidade Federal do Espírito Santo, se mostra tecnicamente temerária e sem qualquer planejamento que aponte para a sua sustentabilidade”. Esse foi o posicionamento manifestado pelo reitor Paulo Vargas em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta terça-feira, 19, sobre a proposta de se criar uma outra universidade a partir dos dois centros de ensino da Ufes, localizados nos municípios de Alegre, Jerônimo Monteiro e São José do Calçado (assista ao vídeo aqui). Ele argumentou que o cenário atual da educação superior pública no Brasil, com sucessivos cortes orçamentários, aponta para um quadro bastante desfavorável ao surgimento de uma universidade que seja resultado de um desmembramento.

“Somos favoráveis à criação de novas universidades que ofereçam mais cursos e vagas. Entretanto, reduzir o tamanho da Ufes para se criar uma universidade minúscula e sem infraestrutura adequada não é, definitivamente, uma estratégia promissora para o sul do estado”, destacou o reitor. O fracionamento da Ufes comprometeria seu desempenho acadêmico e administrativo, e também sua produção científica, que possui indicadores significativos, de acordo com a aferição de diferentes rankings nacionais e internacionais.

Vargas também criticou a versão de que criar uma instituição de ensino superior com parte da Ufes teria baixo custo. “Não se cria uma universidade sem os investimentos essenciais ao seu funcionamento”, alertou. Ele pontuou que os dois centros de ensino localizados no campus de Alegre apresentam necessidades de investimentos em relação à infraestrutura e aos recursos humanos, por exemplo. “Uma nova universidade, com a necessária autonomia e qualidade acadêmica, exigiria investimentos muito maiores, considerando, sobretudo, o esgotamento do campus de Alegre para uma expansão física”, acentuou.

Também participaram da coletiva de imprensa as diretoras dos centros de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), Louisiane de Carvalho Nunes e Taís Cristina Bastos Soares, respectivamente. Ambas destacaram que os conselhos departamentais dos dois centros decidiram rechaçar os projetos de lei que propõem o fracionamento da Ufes apresentados na Câmara dos Deputados.

A partir de dados relativos ao período de 2019, imediatamente anterior à pandemia, as diretoras do CCAE e CCENS pontuaram que, de um orçamento geral próximo de R$ 135 milhões destinado à Ufes, coube ao campus de Alegre o valor de R$ 23 milhões – 17%, aproximadamente; e dos R$ 8 milhões recebidos pela universidade para investimentos, R$ 1 milhão foi destinado ao campus do sul do Espírito Santo.

Em Alegre estão 13,5% dos estudantes de graduação da Ufes e 8,3% da pós-graduação. Dos 1.800 docentes da Universidade, o campus de Alegre conta com 240 professores; e do quadro de cerca de 2 mil técnicos-administrativos, atuam nos dois centros 140 profissionais. “Os números demonstram que o desmembramento fragiliza drasticamente a rede pública de ensino superior do Espírito Santo protagonizada pela Ufes”, enfatizou Paulo Vargas.     

Ausência de diálogo

A posição manifestada pelos conselhos superiores e pela administração da Universidade critica a forma como a proposta de criação de uma nova universidade, a partir do desmembramento da Ufes, vem sendo tratada. “A ausência de diálogo com a Universidade afronta o preceito constitucional da autonomia universitária, além de ser incompatível com o estado democrático de direito”, assinalou o reitor Paulo Vargas. Segundo ele, o mesmo entendimento se aplica ao projeto que pretende desmembrar o Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), no campus de São Mateus.

Uma universidade federal precisa construir e consolidar um projeto que a torne estratégica para o desenvolvimento da região onde está instalada. “A Ufes possui um plano dinamizador e estratégico para o desenvolvimento regional, que contempla todo o Espírito Santo”, observou Vargas. “Uma nova instituição que surgir de uma fratura desse projeto consolidado em 67 anos de história, vai comprometer o ensino superior público no estado, com sérios danos para a sociedade capixaba”, assinalou.

O reitor alertou ainda que uma nova universidade não herdará, plenamente, todos os sistemas e projetos acadêmicos e administrativos desenvolvidos e mantidos pela Ufes, se for formalizado um desmembramento, o que irá rebaixar a eficiência e a qualidade das duas instituições.

De acordo com o reitor da Ufes, os conselhos superiores da Universidade constituíram um grupo de trabalho para monitorar a intenção do desmembramento, manter a comunidade universitária informada, estabelecer diálogos com diferentes atores da sociedade capixaba e buscar outras ações.

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