Viúva de Adriano da Nóbrega diz quem mandou matar Marielle

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Julia Mello Lotufo, Adriano da Nóbrega e Marielle Franco

Finalmente os mandantes do assassinato de Marielle Franco poderão ter seus nomes revelados. Na negociação para a delação premiada de Julia Mello Lotufo, viúva de Adriano da Nóbrega, que foi chefe da milícia Escritório do Crime, ela revelou quem foi o mandante da execução da ex-vereadora do Psol e seu motorista Anderson Gomes, detalhou a participação do ex-marido em uma dezena de homicídios encomendados e listou agentes públicos que receberam propina para acobertar crimes. Segundo a viúva, o assassinato da ex-parlamentar foi realizado pela milícia que atua na comunidade Gardênia Azul. Um dos chefes da milícia é o ex-vereador Cristiano Girão (ex-PMN). Não se sabe ainda quem ela indicou aos promotores como o mandante do crime. Adriano da Nóbrega e Julia Lotufo foram funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro quando o atual senador ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio. 

Segundo o jornalista Daniel Pereira, em reportagem na revista Veja, "de acordo com o relato de Julia, integrantes da milícia que atua na comunidade Gardênia Azul procuraram o ex-capitão para discutir a possibilidade de ele preparar um plano para assassinar Marielle. Ao fazer a sondagem, alegaram que a atuação da vereadora estaria colocando em risco os negócios da milícia não só em Gardênia Azul, mas em Rio das Pedras. Segundo a viúva contou às promotoras, Adriano teria considerado a ideia absurda e arriscada demais, especialmente por envolver uma parlamentar. Tempos depois, ele foi surpreendido com a notícia do crime". 

"Ao cobrar satisfações de comparsas de Rio das Pedras, teria ouvido que a ordem partiu do alto-comando da Gardênia Azul. Nenhuma das fontes consultadas pela reportagem quis informar o nome da pessoa que, conforme o relato de Julia, ordenou a execução de Marielle e Anderson. Um dos chefes da milícia de Gardênia Azul é o ex-vereador Cristiano Girão", destaca a reportagem.

"Em setembro do ano passado, a Polícia Civil e o MP realizaram busca e apreensão em endereços de Girão e de pessoas ligadas ao PM reformado Ronnie Lessa, preso por participar do assassinato de Marielle. Os dois são suspeitos de envolvimento na morte de um casal em 2014, num crime com 'características muito peculiares e que se assemelham muito com o que vitimou a vereadora Marielle Franco e seu motorista' segundo o delegado Antônio Ricardo Nunes, na época chefe do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa", continua. 

Em regime de prisão domiciliar, Julia foi obrigada a usar tornozeleira eletrônica. Ela propôs a colaboração premiada para conseguir a revogação das medidas restritivas determinadas pela Justiça. O MP ainda não respondeu se aceita a delação.

Marielle era ativista de direitos humanos e vivia denunciando a violência cometida por policiais nas favelas, bem como a atuação de milícias. Os atiradores perseguiram o carro dela por cerca de três, quatro quilômetros, e efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras na região central do Rio. 

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