Requerimento aprovado cobra a recuperação urgente de vias danificadas por obras e coloca sob suspeita o contrato de concessão de 25 anos.
A insatisfação com os serviços prestados pela Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) atingiu o tom mais crítico na Câmara Municipal de Anchieta. Em sessão ordinária, os vereadores aprovaram um requerimento que exige providências imediatas para a reparação das ruas danificadas pelas intervenções da empresa e, simultaneamente, puseram em causa o próprio contrato de concessão.
A proposta, apresentada pelo vereador Wesley e subscrita por vários parlamentares, cobra da Prefeitura e da concessionária uma resposta para as vias afetadas por obras de água e esgoto que ficaram sem a devida recomposição do pavimento. No entanto, o debate em plenário foi além da simples cobrança por tapa-buracos: abriu portas à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Mapeamento dos estragos e fiscalização rigorosa
O requerimento aprovado solicita que a Cesan apresente, em caráter de urgência, um cronograma detalhado de repavimentação e reparos com prazos definidos.
Ao mesmo tempo, o Legislativo exige uma postura firme da Secretaria de Mobilidade e Serviços Urbanos, que deverá mapear todos os buracos e valas abertos pela concessionária para encaminhar uma notificação formal. Os vereadores defendem que o município aplique as sanções e penalidades previstas no contrato em caso de incumprimento e sugerem que a própria Prefeitura execute as obras necessárias, debitando os custos diretamente à Cesan.
Ameaça de CPI e contestação do contrato de 25 anos
Na tribuna, o tom subiu. O vereador Wesley citou exemplos de vias afetadas — como a rua nas proximidades da Delegacia da Mulher — para ilustrar a falta de assistência à população. “O problema é que ela não está a trabalhar. Se estivesse a trabalhar, nós não estaríamos a cobrar da Cesan”, afirmou o parlamentar ao defender a abertura de uma CPI para auditar o contrato.
A iniciativa encontrou apoio na presidência da casa. O presidente da Câmara, Renan Delfino, defendeu uma revisão minuciosa das cláusulas contratuais e confirmou a disposição para apoiar a CPI, caso o pedido avance.
O prazo de vigência do contrato também foi alvo de duras críticas. O vereador Silvinho classificou os 25 anos de concessão como um período excessivamente longo face às falhas registadas no serviço, defendendo uma reavaliação das condições contratuais, da transparência e do modelo de subcontratação de empresas terceirizadas.
Com a aprovação da matéria, a pressão recai agora sobre o Executivo Municipal e a direção da Cesan, enquanto a eventual abertura de uma CPI ganha força nos bastidores políticos de Anchieta.







