Desempenho capixaba ficou mais de duas vezes acima da média nacional, de 1,9%, com petróleo, gás e pelotização entre os principais motores – Foto: Minério de Ferro – Crédito: Arquivo NXTE/ES Brasil
A economia do Espírito Santo avançou 4,4% no primeiro semestre de 2026, resultado superior ao crescimento de 1,9% registrado pelo Brasil no mesmo período. O desempenho capixaba foi impulsionado principalmente pela indústria, que apresentou expansão de 12,4% e se consolidou como o principal motor da atividade econômica estadual.
Os números fazem parte do Indicador de Atividade Econômica (IAE-Findes), elaborado pelo Observatório Findes e apresentado nesta quarta-feira (16), durante coletiva na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo.
Petróleo e gás puxam resultado
Dentro da indústria, o destaque ficou com a atividade extrativa, que cresceu 36%. A produção de petróleo e gás natural teve alta de 49,1%, impulsionada, entre outros fatores, pela produção do FPSO Maria Quitéria e pelo início das operações da Prio no campo de Wahoo, no Espírito Santo.
A pelotização de minério de ferro também avançou 18,7%. Segundo a análise apresentada pela Findes, o resultado contou com o aumento da produção da Samarco e com a ampliação da produção da Vale no Estado.
O cenário reforça a importância da indústria extrativa para a economia capixaba. Dados divulgados anteriormente pela Findes, com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, também apontaram forte expansão da produção industrial do Espírito Santo no primeiro semestre.
Transformação ainda é desafio
Nem todos os segmentos industriais acompanharam o mesmo ritmo. A indústria de transformação recuou 2% no semestre, afetada principalmente pela redução na produção de carnes bovinas e de papel e celulose, esta última impactada pela menor demanda chinesa.
Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, um dos desafios do Estado é avançar na transformação da produção local, agregando mais valor aos produtos fabricados no Espírito Santo, em vez de concentrar a atividade na comercialização de produtos básicos.
Nesse contexto, Baraona citou investimentos industriais realizados no Estado, entre eles o projeto de aproximadamente R$ 4 bilhões da ArcelorMittal para implantação de um laminador de tiras a frio, voltado ao fornecimento para setores como o automobilístico e de eletrodomésticos.
Serviços avançam e agricultura recua
O setor de serviços cresceu 1,6% no primeiro semestre, com destaque para o segmento de transportes, que registrou alta de 2,9%.
Já a agricultura apresentou retração de 0,4%, influenciada por dificuldades em culturas como mamão e pimenta-do-reino. A cafeicultura, por outro lado, manteve perspectiva positiva, com estimativa de crescimento de 0,6%, próxima aos níveis elevados registrados no ano anterior.
O resultado mostra uma economia capixaba sustentada principalmente pela indústria, especialmente pelas atividades ligadas ao petróleo, gás e minério, enquanto serviços mantêm crescimento moderado e o setor agrícola enfrenta impactos pontuais em algumas culturas.
A evolução ocorre em um cenário no qual a indústria capixaba vem apresentando desempenho expressivo também nos indicadores mensais. Em julho, por exemplo, a produção industrial do Estado cresceu 12,8% na comparação com julho de 2025, segundo dados do IBGE compilados pelo Observatório Findes.
Para o Espírito Santo, os números do primeiro semestre reforçam o peso estratégico da indústria na economia estadual e colocam como desafio para os próximos períodos ampliar a agregação de valor, diversificar a produção e transformar o crescimento industrial em novas oportunidades para a economia capixaba.























