Projeto utiliza o cultivo de hortaliças como ferramenta terapêutica para estimular autonomia, autoestima, convivência e fortalecimento de vínculos
ALFREDO CHAVES — Cuidar da saúde mental também pode significar colocar as mãos na terra, acompanhar o crescimento de uma muda e colher os frutos do próprio trabalho. Em Alfredo Chaves, essa proposta vem ganhando espaço na rede pública de saúde por meio das Oficinas de Hortoterapia, desenvolvidas pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde, com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e parceria do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
A iniciativa faz parte do Programa Municipal de Saúde Mental e foi implantada em janeiro de 2025. Desde então, cerca de 15 usuários com transtornos mentais graves participam semanalmente das atividades, que vão muito além do cultivo de plantas.
Durante as oficinas, os participantes atuam em diferentes etapas do processo, desde o preparo do solo e o plantio até os cuidados com as mudas, irrigação e colheita. O trabalho coletivo transforma a horta em um espaço de convivência, aprendizado e interação social.
Mais do que plantar, cultivar vínculos
Coordenado pela assistente social Simoni Magri, o projeto também incorpora momentos de escuta, diálogo e socialização. As atividades são acompanhadas por uma equipe formada por assistente social, psicóloga e técnico agrícola, com suporte do psiquiatra da Policlínica e das equipes da Estratégia Saúde da Família.
A proposta é ampliar as possibilidades de atendimento oferecidas pela rede municipal, utilizando uma atividade prática para trabalhar aspectos como autonomia, autoestima, participação social e fortalecimento de vínculos.
Ao final de cada encontro, os participantes ainda compartilham um momento de confraternização, com lanche oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde. O momento de convivência complementa as atividades desenvolvidas durante a oficina e contribui para aproximar os usuários.
Resultado chama atenção no acompanhamento
Um dos dados apresentados pelo Programa Municipal de Saúde Mental reforça a relevância do acompanhamento realizado pela rede. Entre 2025 e o período atual, nenhum dos 15 participantes das oficinas teve registro de internação no período analisado.
O resultado, porém, é tratado com cautela pela própria rede de saúde. Não é possível atribuir exclusivamente à hortoterapia a ausência de internações, uma vez que os usuários são acompanhados por diferentes profissionais e serviços que integram a política municipal de saúde mental.
Ainda assim, o indicador é considerado importante dentro do acompanhamento dos pacientes e reforça a necessidade de estratégias complementares de cuidado.
A experiência de Alfredo Chaves mostra, dessa forma, como uma atividade aparentemente simples pode assumir uma função terapêutica e social. Na horta, o cuidado deixa de estar restrito aos consultórios e passa a envolver também o contato com a terra, a responsabilidade pelo cultivo, o trabalho coletivo e a construção de relações.
Mais do que produzir hortaliças, a proposta busca cultivar autonomia, confiança e vínculos — elementos que também fazem parte do processo de cuidado em saúde mental.











