Entre os pontos mais críticos da ES-060, a Rodovia do Sol, está o trecho de aproximadamente 12 quilômetros entre a Barra do Itapemirim, em Marataízes, e a Praia de Itaoca, em Itapemirim. A área é conhecida pelo histórico recorrente de acidentes graves, alguns deles com vítimas fatais.
O trecho, predominantemente formado por uma longa reta, apresenta ausência de acostamento em boa parte da extensão e sinalização considerada insuficiente, condições que contribuem para o aumento dos riscos, principalmente em situações de excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas.
A combinação de pista livre, pouca fiscalização e estrutura viária limitada pode estimular condutores a desenvolverem velocidades elevadas e realizarem manobras arriscadas, colocando em perigo não apenas quem faz a ultrapassagem, mas também os veículos que trafegam no sentido contrário.
Diante do histórico de ocorrências, moradores e usuários da rodovia já fizeram diversos apelos pela instalação de redutores eletrônicos de velocidade no trecho. Até o momento, porém, as reivindicações não resultaram na adoção da medida.
A cobrança ganha ainda mais força diante da necessidade de prevenção. Para quem utiliza diariamente a Rodovia do Sol, a instalação de equipamentos de controle de velocidade poderia representar uma medida concreta para reduzir a velocidade dos veículos e, consequentemente, o risco de novos acidentes.
Em um trecho onde vidas já foram perdidas, a discussão deixa de ser apenas sobre mobilidade e passa a ser, sobretudo, uma questão de segurança e preservação de vidas.
No início da noite deste domingo (9), o histórico de acidentes no trecho ganhou mais um capítulo trágico. Uma colisão envolvendo quatro veículos deixou uma pessoa morta e outras quatro feridas. O acidente ocorreu justamente nos cerca de 12 quilômetros entre a Barra do Itapemirim e a Praia de Itaoca, área que há anos é apontada como um dos pontos de maior risco da Rodovia do Sol. O novo acidente recoloca em evidência uma reivindicação antiga de moradores e motoristas: a adoção de medidas efetivas para reduzir a velocidade e aumentar a segurança no trecho. Entre as principais solicitações está a instalação de redutores eletrônicos, uma medida que, diante da sucessão de ocorrências graves, já não deveria ser tratada como uma demanda secundária.
Dois pesos para medidas rigorosamente iguais
Um exemplo que evidencia a diferença de tratamento dado aos trechos da rodovia está no percurso entre Piúma e Anchieta. Em apenas nove quilômetros, existem seis redutores eletrônicos de velocidade, sinalizando uma preocupação das autoridades com a segurança e o controle do tráfego.
Já no trecho entre Marataízes e Itaoca, com aproximadamente 12 quilômetros — três a mais que o percurso entre Piúma e Anchieta —, a realidade é bem diferente. Trata-se de uma via igualmente movimentada, com intenso fluxo diário de veículos, motociclistas, bicicletas e pedestres, mas que não recebe, aparentemente, a mesma atenção por parte do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES).
A pergunta que fica é inevitável: se a movimentação de veículos entre Piúma e Anchieta justifica a instalação de seis equipamentos de controle de velocidade em apenas nove quilômetros, por que o trecho entre Marataízes e Itaoca, igualmente movimentado e marcado por recorrentes acidentes, não recebe medidas semelhantes de prevenção?
Mais do que controlar a velocidade, a instalação de equipamentos e outras medidas de segurança pode contribuir para preservar vidas em um trecho que diariamente é utilizado por milhares de pessoas. Os recentes acidentes reforçam que já passou da hora de as autoridades olharem com maior atenção para esse segmento da Rodovia do Sol.
Respostas
Se nenhuma providência concreta for tomada, cenas como a registrada neste domingo tendem a se repetir. E nós, de O JORNAL, assim como já fizemos em inúmeras matérias ao longo dos últimos anos, infelizmente poderemos estar novamente noticiando acidentes, feridos e, principalmente, novas vidas perdidas nesse mesmo trecho da Rodovia do Sol.
Não se trata mais apenas de cobrar respostas depois que uma tragédia acontece. É preciso agir antes que ela aconteça. Os acidentes recorrentes, o intenso fluxo de veículos e a presença diária de ciclistas e pedestres mostram que o trecho entre Marataízes e Itaoca exige medidas urgentes de segurança.
O que está em jogo é a preservação de vidas. E, diante de tantas ocorrências, não há mais espaço para esperar. Algo precisa ser feito — e precisa ser feito agora, antes da próxima tragédia.




























